Desafio para os ouvidos

As muitas e diversas correntes da Nova Música exigem frequentemente que os ouvintes se habituem a elas. O cientista, músico e médico Eckart Altenmüller explica o motivo.

Anne Van Aerschot - New Music

Alemanha. Como soa isso? Apesar de toda a diversidade da Nova Música, ela tem geralmente algo em comum: não é fácil para os seus ouvintes. Alguns ficam de cabelo em pé, outros viram as costas, assustados. Mas a Nova Música pode ser desfrutada de maneira absoluta, afirma Eckart Altenmüller, diretor do Instituto de Fisiologia Musical e Medicina Musical na Escola Superior de Música, Teatro e Mídia, em Hanôver. 

Eckart Altenmüller

Professor Altenmüller, o senhor é não apenas um entusiástico músico, pesquisador e professor, mas também doutor em Medicina. Quão suportável é a Nova Música?

A Nova Música é um desafio, mas ao mesmo tempo altamente suportável: por exemplo, quando um paciente aceita positivamente a Nova Música, ela pode produzir um efeito tão terapêutico como a música de Bach, Mozart ou Beethoven. A questão decisiva é habituar-se: é preciso estar disposto a aceitar a Nova Música e a ouvi-la com mais frequência. Isso demonstra ser necessário, que a Nova Música seja muito mais tocada.

Ou seja, pode-se aprender a ouvir a Nova Música?

Absolutamente. Todo processo de audição, das notícias radiofônicas até uma composição de Pierre Boulez, é ao mesmo tempo uma educação do ouvido. Também o ouvir da Nova Música forma vestígios de recordação no nosso cérebro. Com o tempo, eles nos ajudam a encontrar orientação na obra. Quando isso ocorre, é uma verdadeira alegria para o nosso aparato perceptivo. Vivenciamos profunda satisfação, quando encontramos orientação no aparente caos de uma composição da Nova Música. Mas é preciso também estar disposto a buscar a insegurança e a poder suportá-la.

A Nova Música pretende em geral agradar?

Certamente há também compositores, para os quais é importante sobretudo transmitir sentimentos de alegria. Porém, na Nova Música trata-se basicamente muito mais de questionar as coisas, de redefinir e romper critérios de percepção – e de que nós ampliemos assim o nosso mundo de vivências, podendo finalmente esclarecê-lo melhor. 

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