“Rápida integração dos refugiados no mercado de trabalho”

O grande economista Marcel Fratzscher, consultor político e presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), em Berlim, vê a imigração sobretudo como chance.

dpa/Daniel Naupold - Marcel Fratzscher

Senhor professor Fratzscher, o senhor elaborou diferentes cenários para a integração de refugiados. A longo prazo, todos eles trariam benefícios.  De quais suposições o senhor parte?

A maior parte de refugiados, que permanecerá aqui, é composta por pessoas muito jovens, com pouca qualificação. Nos nossos cenários, no DIW de Berlim, partimos cautelosamente da suposição que leva em consideração até mesmo uma imigração de mais de quatro milhões de refugiados nos próximos cinco anos. Todavia, fato é que ainda sabemos muito pouco sobre os refugiados que estão vindo para a Alemanha e sobre os que ainda virão.

Que efeito terá a imigração sobre o mercado de trabalho?

Sem dúvida, poder superar, a curto prazo, a afluência de refugiados é um enorme desafio financeiro e organizatório. Financeiramente, é possível superar essa tarefa, mas do ponto de vista organizatório, muitos municípios estão diante de difíceis problemas e precisam de ajuda. Todavia, não devemos ver essas cargas apenas a curto prazo, mas temos que considerar também uma perspectiva a longo prazo. A economia alemã precisa de mão de obra e, através da transformação demográfica, essa necessidade irá crescer mais ainda nos próximos anos e decênios. Por isso, os refugiados representam uma chance para o nosso país, para que este continue permanecendo competitivo a longo prazo, assegurando, assim, nosso bem estar. Trabalhando, tanto as pessoas que já vivem aqui como os refugiados contribuem para a nossa eficiência econômica, ajudando a assegurar nosso futuro.

O que devemos fazer?

A solução de uma integração bem sucedida de refugiados depende de que eles consigam ser introduzidos bem e rapidamente no mercado de trabalho. Muitos deles são jovens e não têm a formação ou qualificação necessárias. Por isso, os gastos gerados para os refugiados que querem permanecer na Alemanha têm de ser considerados como um investimento, da mesma maneira como investimos em creches e escolas para nossas crianças, o que reverterá em benefício econômico em dez ou vinte anos. Quanto mais investirmos hoje na integração de refugiados tanto maior será sua contribuição a longo prazo.

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