Não há paz sem as mulheres

A pesquisadora da paz Simone Wisotzki esclarece porque a igualdade de direitos torna o mundo mais seguro.

Marcha das Mulheres pela Paz nas Filipinas
Marcha das Mulheres pela Paz nas Filipinas Getty Images/Dondi Tawatao

Nas guerras e conflitos, as mulheres são percebidas frequentemente apenas como vítimas. Essa perspectiva impede a constatação de que as mulheres podem exercer grande influência para que a violência seja superada. Sobre isso, conversamos com Simone Wisotzki. Ela é diretora da Fundação de Pesquisa da Paz e de Conflitos de Hessen (HSFK) da Comunidade Leibniz, em Frankfurt do Meno. Ela qualifica a Resolução 1325 da ONU, “Mulheres, Paz e Segurança”, como um marco, mas afirma também que o caminho para maior segurança é frequentemente espinhoso.

Pesquisadora da paz Simone Wisotzki
Pesquisadora da paz Simone Wisotzki privat

Sra. Wisotzki, por que as mulheres têm de participar das negociações, quando se trata de guerra e paz?
Estudos comprovam que, em sociedades com igualdade de direitos entre os sexos, existem menos conflitos internos e internacionais. Quando as mulheres participam das negociações de paz, aumenta a chance de um acordo de paz estável. Isso foi logrado em Ruanda. Hoje, aquele país tem uma das mais altas cotas de mulheres no Parlamento.

Quando as mulheres participam das negociações de paz, aumentam as chances de um acordo estável de paz.

Simone Wisotzki, especialista na pesquisa da paz e dos conflitos

Um exemplo da Libéria é documentado no filme «Pray the Devil Back to Hell»: as partes conflitantes da guerra civil negociaram durante muito tempo – sem resultados. Então as mulheres se reuniram em volta da sala de negociações e avisaram os homens, “nós não vamos deixar vocês saírem daqui, enquanto não chegarem a um acordo”. Assim, as mulheres conseguiram a solução do conflito.

Que dificuldades existem?
Nas negociações de paz, as mulheres ainda continuam pouco representadas. É difícil deixar claro aos homens, porque as mulheres têm de ser incluídas no desarmamento e na reconstrução.

Que dificuldades existem?
Nas negociações de paz, as mulheres ainda continuam pouco representadas. É difícil deixar claro aos homens, porque as mulheres têm de ser incluídas no desarmamento e na reconstrução.

Como se logra trazer as mulheres à mesa das negociações?
Fazendo contatos locais com a sociedade civil ou com as associações de mulheres, que se organizam fora do país. Na Manutenção da Paz da ONU há o Consultor de Gênero, que estabelece tais contatos. Mais difícil é alcançar também os movimentos de base.

Um exemplo bem-sucedido é o processo de paz de Mindanao, nas Filipinas: lá, Miriam Coronel Ferrer negociou em 2014 um acordo de paz com o grupo rebelde MILF. As organizações femininas locais participaram de maneira sistemática e continuam responsáveis pela implementação do acordo de paz.

Fator decisivo é a sustentabilidade. A comunidade internacional tem também de conceder verbas em longo prazo e assegurar sistematicamente a igualdade de direitos dos sexos em todos os setores da reconstrução. Infelizmente, a realidade é inteiramente diferente.

Entrevista: Tanja Zech

Mais informações sobre o tema:

Women, Peace and Security Focal Points Network
Peace Lab: Uma política externa feminista para a ONU

© www.deutschland.de

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