Hans Joachim Schellnhuber, cientista do clima

Hans Joachim Schellnhuber, cientista alemão do clima, luta para alcançar o objetivo de 1,5°C

O tema do clima está novamente bem no topo da agenda de 2015. A cúpula dos G7 em junho na Alemanha foi a primeira a se comprometer que o aquecimento da Terra não pode ultrapassar os 2°C. Depois, o papa Francisco publicou sua encíclica “Laudato si”, o primeiro documento papal que enfoca o tema do meio ambiente. Agora é a vez da UNESCO, que organiza a conferência do clima, o maior encontro de pesquisadores do clima de 2015, que serve de preparação para a importante Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP21) em dezembro deste ano em Paris. Os cientistas querem impedir, a todo custo, que o aquecimento da Terra ultrapasse os 2°C, o nível existente antes da industrialização.

É possível alcançar 1,5°C

Hans Joachim Schellnhuber, um dos maiores peritos do clima, reconhecido internacionalmente, e diretor do Instituto de Potsdam da Pesquisa do Clima (PIK), foi um dos primeiros cientistas a exigir uma solução sustentável do problema do clima, lutando por uma limitação do aquecimento da Terra.

Seu instituto e os pesquisadores do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), de Viena, publicaram em maio de 2015 uma pesquisa, segundo a qual o aquecimento da Terra poderia ser reduzido a menos de 1,5°C até o ano de 2100. Este objetivo é considerado mais realista do que a meta dos 2°C e é apoiado por mais de cem países. Mas este projeto é um tanto ousado, pois “Considerando-se o cenário com o objetivo de 1,5°C, o orçamento restante de emissões de monóxido de carbono deveria ter uma redução de quase 50% em comparação com o cenário de 2°C”, diz Gunnar Luderer, do PIK, um dos autores do estudo. Sendo assim, a neutralidade de CO2 teria de ser conseguida no mundo todo dez a vinte anos antes do que previsto no cenário de 2°C. Além disso, o dióxido de carbono teria de ser retirado da atmosfera.

A ciência vem apontando claramente as consequências da mudança do clima, que envolvem a elevação do nível do mar, extremas mudanças climáticas, precipitações sérias, perturbação do sistema ecológico e até mesmo possíveis agitações sociais.  Schellnhuber desenvolveu modelos que tornam o fenômeno da mudança do clima compreensível. Ele assessora o governo federal alemão nas questões da transformação ambiental e é, há muito tempo, membro do Conselho Mundial do Clima IPCC, que recebeu em 2007 o Prêmio Nobel da Paz. Schellnhuber acompanhou o papa Francisco na apresentação da sua encíclica e participará em julho da Conferência do Clima da UNESCO, discutindo sobre as “Reflections on Collective Action and Transforming Solutions”.

Conferência da UNESCO “Our Common Future under Climate Change” , de 7 a 10 de julho de 2015 em Paris

www.pik-potsdam.de

www.commonfuture-paris2015.org

www.cop21.gouv.fr

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