Por isso gostamos de caminhadas

O planalto central alemão Mittelgebirge é um paraíso para caminhantes, diz o sociólogo natural Rainer Brämer. Ele conhece as melhores trilhas de caminhadas da Alemanha.

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dpa

Alemanha. Trabalho duro para as pernas, descanso para o espírito. Caminhar mantém a pessoa em forma e combate o estresse, a obesidade e a pressão alta. Por isso, os preguiçosos também estão convidados a participar da maior festa mundial de caminhada, o Deutschen Wandertag (Dia Alemão da Caminhada). Já se esperam até 50 mil participantes no evento de 26 a 312 de julho em Eisenach. O sociólogo natural Rainer Brämer, de Marburg, esclarece como uma trilha perfeita de caminhada pode ser e como a caminhada desperta os instintos básicos humanos.

Sociólogo natural Rainer Brämer.
Sociólogo natural Rainer Brämer. Karin Poltoraczyk

Senhor Brämer, o senhor e seus colegas do Deutschen Wanderinstitut (Instituto Alemão de Caminhada) estão planejando novas rotas e distinguindo as chamadas “Premiumwanderwege”, as trilhas excelentes para caminhadas. Quais percursos garantem uma experiência perfeita de caminhada?

Para os fãs de caminhadas, como são os alemães, um percurso não pode dar muito trabalho. A subida deve ser moderada e o tempo de caminhada não pode ultrapassar um dia. Isto exige que paisagem apresente certas características. O deutschen Mittelgebirgen (planalto central alemão Mittelgebirge) é apropriado, pois as trilhas estreitas e muito diversificadas levam os caminhantes a lindos e pequenos lugarejos, a trechos abertos de bosques, a prados e riachos, chegando a um mirante natural. A permanente mudança e a natureza são decisivas. Uma das coisas ideais das trilhas excelentes, por nós distinguidas, é também a infraestrutura, cujos sinais de orientação oferecem muita segurança para os caminhantes.  

Mais ou menos a metade dos alemães vai regularmente às montanhas. Por que tantas pessoas gostam de caminhadas?

A felicidade que uma paisagem linda nos causa – e que só podemos desfrutar se nos encontrarmos nela sem perigo – está imanente em nós. Agradável para nós é o meio onde crescemos. Nossos ancestrais, que eram caçadores e coletores, estavam mais seguros contra más surpresas em terrenos conhecidos. Daí vem a nossa preferencia por panoramas, pois a montanha nos protege e, ao mesmo tempo, nos proporciona descobrir possíveis alimentos e inimigos. O prazer pelas paisagens hídricas também tem sua origem na era pré-histórica, pois os rios e riachos nos proporcionam a água para saciar a sede.

Uma boa infraestrutura é um lado da medalha. Neste meio tempo, a maioria das pessoas gosta mais de fazer suas caminhadas nas paisagens culturais do que na natureza virgem. Ela ainda continua sendo atraente?

Depois de 30 anos de debate ecológico, temos agora uma relação exotérica para com a natureza. Na minha opinião, causa confusão pensar que a natureza só existe onde não há pessoas. Na verdade, experimentar a natureza é uma impressão subjetiva.

Desde 1997, o senhor vem documentando no “Jugendreport Natur” a relação entre os jovens e a natureza. Ihr jüngster Report (Seu mais recente relatório) mostra que os jovens procuram suas experiências antes na mídia social do que na natureza.

Em termos de estímulos da mídia, a natureza é aparentemente muito enfadonha, o que faz com que se perca um conhecimento elementar, ou seja, somente cada um de três jovens, que questionamos para a nossa pesquisa, sabia qual era o ponto cardeal do Sol nascente. Esta tendência vem sendo combatida pelas associações de caminhantes, através de ofertas específicas para crianças e jovens. Quem descobre, ainda quando criança, o amor pela natureza, continuará mantendo esse sentimento quando for adulto.

Dia Alemão da Caminhada 2017, de 26 a 31 de julho em Eisenach

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