Mulheres nas profissões de TI

Por que tão poucas mulheres estudam Informática? Existem algumas boas ideias de como se pode mudar isso.

HTW Berlin/Alexander Rentsch

Friederike Fischer nunca foi uma grande fã de computadores. Mas a universitária de 23 anos já gostava de Matemática nos seus tempos de escola. Depois de concluir o colégio, ela inicialmente não sabia o que deveria estudar. Finalmente, a escolha recaiu no curso de Informática Técnica na Universidade Técnica de Berlim. Uma decisão inusitada: “No começo dos estudos, nós éramos cinco mulheres – entre os cerca de 100 calouros”.

No momento, Fischer está se especializando em Robótica. Mulheres como ela ainda são uma raridade na Alemanha. São poucas as formandas de colégio que têm a ideia de abraçar uma profissão no setor de TI. Isso tem consequências: as empresas alemãs de TI registravam em 2015 uma cota de apenas 15% de mulheres entre seus empregados. Também no setor das startups inovadoras, as mulheres estão sub-representadas.

Inúmeras iniciativas

Como é possível mudar isso? A política, as instituições de pesquisa e as escolas esforçam-se, há anos, pela conquista de mais novatas para o setor de TI. Há iniciativas nacionais, por exemplo Komm, mach MINT, que buscam popularizar a matemática, a engenharia e as ciências naturais entre as mulheres, ou também redes de fomento de carreira, como a Femtec. A confederação do setor Bitkom criou o projeto Role Models. “Os exemplos de fundadoras de empresas, consultoras, cientistas e especialistas de TI, bem-sucedidas no setor digital, devem encorajar as mulheres jovens a iniciarem uma carreira nas profissões de TI”, segundo um porta-voz.

40.000 vagas em aberto

As perspectivas profissionais na Alemanha, como polo de tecnologia avançada, são esplêndidas. Cerca de 40.000 vagas em aberto existem atualmente no setor de TI. Novatas são necessitadas com urgência. De qualquer maneira: a cota de mulheres entre os calouros dos cursos de Informática está aumentando paulatinamente. Atualmente, é de cerca de 25%. Algumas mulheres se decidem, conscientemente, por um estudo universitário sem colegas do sexo masculino. Seis cursos universitário do setor ligado à Informática na Alemanha são voltados exclusivamente para as mulheres. Um deles foi criado pela Escola Superior de Técnica e Economia em Berlim. Na divulgação do curso, afirma-se não ser necessário nenhum conhecimento anterior no setor de TI.

Eliminar o medo da profissão

A falta de conhecimentos anteriores, por exemplo em programação, é um dos motivos pelos quais muitas mulheres temem ser incapazes de obter êxito nos cursos – mesmo que gostem de matemática e de lógica. Por isso, muitas iniciativas esforçam-se para eliminar o medo feminino de profissões técnicas. A Rails Girls Berlin, uma rede de voluntárias, oferece workshops gratuitos de programação para as mulheres. As vagas sempre se esgotam rapidamente. “E, sobretudo em Berlim, desenvolvem-se outras iniciativas fantásticas”, afirma a tutora Laura Laugwitz.

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