Cadeia de blocos para a segunda fase da virada energética

Peritos apostam na tecnologia da cadeia de blocos, ou “blockchain”, para a segunda fase da virada energética.

dpa/Sebastian Kahnert - Energy transition

A cadeia de blocos é a tecnologia-chave para o sucesso da virada energética (Energiewende)? Fato é que o setor da energia está se transformando radicalmente, pois a energia não vem sendo mais produzida centralmente em grandes usinas, mas cada vez mais em pequenas unidades geradoras descentrais, cujas bases são as energias renováveis. Tudo gira em torno dos consumidores, os “prosumers”, que produzem diretamente eletricidade e também a consomem. Eles poderiam futuramente vender essa eletricidade através da tecnologia de cadeia de blocos, sem que um abastecedor de energia fosse necessário para a liquidação da transação. Os peritos da empresa de consultoria PwC ocuparam-se dessa questão, chegando à conclusão de que essa tecnologia, já há muito tempo usada no setor financeiro, também poderia ser adotada no setor energético.

Segundo um breve estudo feito para a Central de Consumidores da Renânia do Norte-Vestfália, as transações do setor financeiro, feitas através dessa tecnologia de internet, são diretas, ou seja, “peer to peer”, sem que os bancos ou as bolsas sejam necessários. Trata-se de uma plataforma que armazena os dados de uma transação entre fornecedor e cliente, executando e documentando essa transação. Um exemplo conhecido é a moeda de internet “bitcoin”, intercambiada pelos usuários, sem intermédio de um banco, sem as usuais tarifas bancarias. Desta maneira, o setor energético poderia fazer uma transação através da cadeia de blocos, prescindindo da intermediação de empresas municipais, de abastecedoras de energia ou de bolsas de eletricidade, o que, no setor energético, também reduziria os preços de eletricidade para os consumidores.

 “Impulso muito promissor para a segunda fase da virada energética”

Uma sondagem atual da Deutsche Energie-Agentur (dena), feita entre os executivos da economia energética, confirma essa tendência. Quase dois terços dos questionados consideram possível uma difusão da cadeia de blocos a outros setores, sendo que essa tecnologia foi estimada por 21% dos executivos como uma chave básica de transformação do mercado, como um “game changer”. Outros 14% a consideram no mínimo um nicho de soluções. “Na segunda fase da virada energética será necessário proceder a uma conexão inteligente entre os diversos componentes e os atores do sistema de energia. Para tanto, a tecnologia da cadeia de blocos oferece um impulso muito promissor ”, diz Andreas Kuhlmann, gerente da dena. 

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