Visão da Europa à distância

A Alemanha assume a presidência do Conselho da UE – uma ocasião para perguntar em todo o mundo, o que as pessoas pensam sobre a Europa.

Europa vista do espaço sideral.
Europa vista do espaço sideral. NicoElNino - stock.adobe.com

Ding Chun

Diretor do Centro de Estudos Europeus na Universidade Fudan, Xangai

É verdade – há diferenças entre a China e a UE, no tocante a cultura, instituições, bem como estágio e modelo do desenvolvimento social. Mas a cooperação e o consenso prevalecem, em vez de concorrência e dissensão. Por isso, os dois lados devem fomentar o multilateralismo, uma economia mundial aberta e o livre comércio, a fim de compensar as consequências do unilateralismo e do protecionismo, praticados por alguns países desenvolvidos. A China continuará abrindo a sua economia e solucionando as suas diferenças com a UE – entre outras coisas, através do impulso às negociações sobre um acordo de investimentos. Através de uma configuração inteligente das suas relações comerciais e econômicas, a China e a UE podem continuar fortalecendo a sua cooperação win-win”.

Ding Chun
Ding Chun

 

Sergio Ramírez

Escritor e portador do Prêmio Cervantes, ex-vice presidente da Nicarágua

As relações da América Latina com a UE vão além do acordo de integração do mercado. A diversidade cultural dos países da América Latina, que integraram cedo a cultura europeia, é uma prova dessa proximidade. A maior vantagem que a América Latina tem provavelmente com relação à Europa, reside no fato de ser um espaço diversificado e multicultural, que não exige nenhuma aliança geopolítica e não tenta dividir o mundo em blocos. Ao mesmo tempo, a Europa nos serve como espelho, no qual podemos nos observar em face do ideal democrático, pois infelizmente, ainda continuamos carregando conosco a sobrecarga do autoritarismo. Por isso, a aspiração comum tem de ser a de construir uma relação duradoura e fértil, que se baseie em liber­dade, humanismo e tolerância”.

Sergio Ramírez
Sergio Ramírez

 

Ellen Johnson Sirleaf

Ex-presidente da Libéria, portadora do Prêmio Nobel da Paz

A Europa e a África estão inseparavelmente ligadas pela história, geografia e relações econômicas. A garantia de um futuro pacífico e próspero nos dois continentes exige a sua cooperação – mas não com aquela relação de doador e pedinte, que determinou no passado a ‘cooperação’ das duas ­partes. Em vez disso, os chefes de Estado e de ­governo dos dois lados precisam construir uma relação estratégica com igualdade de direitos, que beneficie a Europa tanto quanto a África e a África tanto quanto a Europa. Eles têm agora que lançar a pedra fundamental ­para uma tal relação, chegando a um acordo sobre uma estratégia previdente, que cuide dos desequilíbrios estruturais, aproveite as vantagens da ­migração e que traga benefícios palpáveis aos seus cidadãos e cidadãs”.

Ellen Johnson Sirleaf
Ellen Johnson Sirleaf

 

Vivian Balakrishnan

Ministro do Exterior de Singapura, ­coordenador da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para as ­relações com a UE

Estamos em dois territórios geográficos praticamente incomparáveis. Nós nos organizamos de maneira inteiramente distinta, o que não surpreende em face das diferentes condições básicas nacionais. Mas temos valores comuns e temos princípios comuns de cooperação. De certa maneira, a União Europeia e a Associação de Nações do Sudeste Asiático são na verdade parceiros ­naturais. Em face da retórica antiglobalização dos últimos anos, é hoje, na minha ­opinião, tanto mais importante que a UE e
a ASEAN juntem-se numa plataforma comum de intercâmbio e que nós intensifiquemos ainda mais a nossa cooperação”

Vivian Balakrishnan
Vivian Balakrishnan

 

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