“Vale a pena olhar para a África”

Christoph Kannengiesser, da Associação da Economia Alemã para a África, sobre as chances do engajamento empresarial na África.

Sr. Kannengiesser, que chances a África oferece às empresas alemãs?

O potencial de longo prazo é alto, até mesmo por causa da população, grande e relativamente jovem, mas também em razão dos ricos recursos naturais 
e das possibilidades de beneficiá-los in loco. Nos anos de 2015 e 2016, o Banco Mundial incluiu também, respectivamente, cinco países africanos na 
sua lista dos dez países com maior crescimento. Esse forte crescimento gera uma demanda, que as 
empresas alemãs podem atender de forma excelente. A competência e qualidade alemãs, sobretudo nos setores de concepção, planejamento e execução de projetos de infraestrutura, podem ser determinantes. O importante nisso é que as empresas alemãs estejam abertas para trabalhar conjuntamente em cooperações internacionais, por exemplo com empresas da China ou do Brasil. Aumenta também a demanda por produtos industriais clássicos. As empresas alemãs são reconhecidas também na África pelos seus altos padrões em relação a qualidade, formação profissional, proteção ambiental e sustentabilidade social. As chances para o empresariado médio alemão também são muito boas. A questão 
agora é aproveitá-las.

Como as firmas alemãs avaliam o risco empresarial do seu engajamento na África?

Como também em outros continentes, as firmas são confrontadas em alguns países com a falta de estabilidade política e de segurança de planejamento. Também a proteção da propriedade privada é um tema. Contudo, muitos empresários não conhecem a África suficientemente bem, relacionando-a com guerra, doenças, corrupção e falta de infraestrutura. Tudo isso existe, mas há também o contrário e muitas nuanças entre os dois. Apesar de tudo: vale a pena olhar para a África! Segundo a avaliação 
do FMI, Etiópia, Costa do Marfim, Gana, Quênia, Ruanda, Senegal, Moçambique e Tanzânia deverão lograr até o ano de 2020 um crescimento médio de mais de seis por cento ao ano. Com bons preparativos e gerenciamento ativo in loco, os problemas são controláveis. Exatamente o empresariado médio alemão não se deixa mais intimidar pela imagem antiquada da África como continente de risco, 
reconhecendo os desenvolvimentos e com isso, as chances geradas. Para o próximo passo, são neces­sárias agora máquinas e instalações, técnica energética de ponta e o conhecimento, de como se constrói 
a indústria. Nenhum outro país pode fornecer tudo isso melhor que a Alemanha.

Como é o engajamento do setor econômico alemão na África até agora?

Nos últimos dez anos, os investimentos alemães 
na África quase duplicaram. Desde 2012, o comércio de exportação alemão-africano já aumentou em 35%, para mais de 40 bilhões de euros. Atualmente, cerca de 800 empresas alemãs investem anualmente dez bilhões de euros na África, entre outras nas indústrias petrolífera e automobilística. 200 000 empregos foram gerados, o faturamento anual das 
firmas alemãs na África está em torno de mais de 30 bilhões de euros. Contudo, a Alemanha não 
está entre os maiores investidores, ficando em décimo lugar. Em seu todo, a tecnologia “made in 
Germany” poderia dar uma contribuição ainda muito maior para o crescimento na África.