“A segurança resulta de uma menor vulnerabilidade”
Diariamente, clínicas, empresas e municípios são alvo de ataques cibernéticos com intensidade cada vez maior. Linus Neumann, do Chaos Computer Club, explica o que realmente ajuda.
Senhor Neumann, como o senhor avalia a situação atual de ameaças relacionadas a ataques cibernéticos contra a Alemanha?
Ransomware e chantagem afetam diariamente empresas, clínicas e municípios. O verdadeiro problema não é um adversário demasiado poderoso, mas sim nossa própria vulnerabilidade e falta de resiliência. Enquanto isso continuar assim, os negócios vão crescer. A boa notícia: Um ofício técnico e manual bem feito resolve grande parte dos problemas.
O que você quer dizer com isso?
A segurança não é um estado, mas um processo: Uma infraestrutura de TI nunca fica “pronta”; ela precisa ser mantida e aprimorada continuamente. Mais cedo ou mais tarde, ela vai falhar, e é preciso estar preparado para isso – é exatamente isso que significa resiliência. E: Os agressores, em geral, não possuem nenhuma habilidade especial. Eles simplesmente se aproveitam de erros muito comuns e, por isso, amplamente conhecidos. Precisamos, de uma vez por todas, colocar em prática as lições que tiramos disso.
O que mudou mais nos últimos dois ou três anos: Ferramentas, objetivos ou a organização dos invasores?
O método continua o mesmo; ele apenas está sendo cada vez mais aperfeiçoado. Os invasores criptografam os sistemas para interromper suas operações. Os backups são apagados para que não seja possível restaurá-los; os dados são baixados e há ameaças de divulgação. É assim que os invasores exigem o pagamento de resgate. Como esse golpe funciona em quase todos os lugares, os criminosos estão cada vez mais atuando de forma organizada e com fins lucrativos.
O que muda com a Inteligência Artificial?
A IA ajuda tanto os atacantes quanto os defensores. Agora é possível detectar e corrigir muito mais facilmente as vulnerabilidades técnicas, mas, infelizmente, também é possível explorá-las. A defesa pode e deve agora garantir a segurança técnica também por meio de atualizações. No ataque, a IA reduz a dificuldade inicial. A engenharia social, ou seja, os ataques que exploram as fraquezas humanas, também está se tornando mais fácil, mais eficaz e, por isso, com ainda mais chances de sucesso.
A Alemanha pretende permitir, no futuro, uma “defesa cibernética ativa”. O que você acha disso?
A segurança resulta de uma menor vulnerabilidade, e não da ameaça de um contra-ataque contra criminosos, que têm muito menos a perder. Devemos investir em defesa e resiliência, e não no ataque.
Linus Neumann é porta-voz do Chaos Computer Club, a maior associação de hackers da Europa. Ele é o que se chama de “hacker de chapéu branco”, um especialista em segurança da informação que identifica falhas de segurança para corrigi-las antes que criminosos as explorem.