A Alemanha reforça sua defesa digital
Espionagem, sabotagem, ransomware: O governo federal aposta em novas estruturas, competências claras e maior resiliência na defesa contra ataques híbridos.
“Ameaças concretas não são ficção, mas já fazem parte do dia a dia na Alemanha”, afirmou o chanceler federal, Friedrich Merz, em junho de 2026. Merz incluiu expressamente osataques cibernéticos, a espionagem e a sabotagem entre os perigos imediatos. A situação é tensa e afeta ministérios, órgãos públicos e empresas da mesma forma. Por isso, o governo federal pretende reforçar a defesa cibernética nos âmbitos organizacional, técnico e regulatório. O importante, acima de tudo, é deixar claro quem faz o quê em caso de emergência e com rapidez.
Conselho de Segurança, Instituto de IA e o BSI como centro de coordenação técnica
A coordenação política fica a cargo do Conselho Nacional de Segurança, criado no verão de 2025. Seu objetivo é coordenar as ameaças de forma interministerial e aumentar a capacidade de resposta em situações de crise.
Uma novidade é a criação de um instituto de segurança para Inteligência Artificial: Seu objetivo é avaliar sistematicamente as oportunidades e os riscos dos modelos de IA de alto desempenho, ampliar o intercâmbio com instituições semelhantes no exterior e contribuir para o desenvolvimento de padrões uniformes. O contexto é que a IA agiliza as ferramentas dos invasores – desde mensagens de phishing que parecem verdadeiras até a análise automatizada de dados roubados.
Na qualidade de órgão especializado em arquitetura técnica de segurança cibernética, o Escritório Federal de Segurança em Tecnologia da Informação (BSI) emite alertas, estabelece padrões mínimos e fornece recomendações de ação.
Centro de Defesa Cibernética e órgãos de segurança
Em caso de ataques agudos, o governo federal atua em conjunto no Centro Nacional de Defesa Cibernética. No local, as informações das entidades envolvidas são reunidas para que a situação e as opções de ação sejam rapidamente coordenadas. O mesmo se aplica ao Centro Conjunto do Governo Federal e dos Estados para a defesa contra ameaças híbridas, inaugurado pelo ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt, em junho de 2026. “Vamos revidar. Nós neutralizamos a ameaça quando formos atacados. Seremos capazes de neutralizar os agressores e destruir sua infraestrutura”, destacou Dobrindt.
Além disso, dependendo do caso, outras autoridades podem estar envolvidas:
- O Departamento Federal de Polícia Criminal para a Ação Penal
- O Escritório Federal de Proteção Constitucional, responsável pela defesa contra espionagem e sabotagem por parte de serviços de inteligência estrangeiros, bem como por atividades relacionadas à Constituição no território nacional
- O Serviço Federal de Inteligência para a Inteligência Externa, ou seja, para a obtenção de informações sobre atores e estruturas fora da Alemanha, que auxiliam na análise e na defesa contra campanhas cibernéticas.
- As Forças Armadas Federais, com a Área Organizacional do Espaço Cibernético e da Informação, para a proteção das redes e capacidades militares
- O Departamento Federal de Proteção Civil e Assistência em Catástrofes, quando incidentes cibernéticos afetam infraestruturas críticas de tal forma que seja necessária a intervenção da proteção civil ou em situações de crise.
- O Órgão Central de Tecnologia da Informação na Área de Segurança como prestador de apoio técnico às autoridades de segurança