Prêmio de direitos humanos para “Caesar”

Sob risco de vida, um fotógrafo sírio e seus colaboradores contrabandearam para fora do país as provas drásticas da tortura. 

Memorial “Rua dos Direitos Humanos” em Nuremberg
Memorial “Rua dos Direitos Humanos” em Nuremberg dpa

Alemanha. Suas fotografias mostram tortura, sofrimento e morte. Elas documentam assassinatos “em escala industrial”, segundo afirmou um antigo procurador-chefe das Nações Unidas. Sob o pseudônimo de “Caesar”, um antigo fotógrafo militar sírio contrabandeou mais de 50.000 fotos para fora da Síria. Mais da metade delas mostra gente assassinada nas prisões sírias através de tortura, execuções, doenças, subnutrição ou outros maus-tratos. Por essa corajosa ação, “Caesar” e seus colaboradores foram agraciados em 24 de setembro com o Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg 2017.

“Impulsionados foram ‘Caesar’ e seus colegas pelo desejo de que não ficassem impunes os crimes contra os direitos humanos, por eles documentados. Para isso, eles assumiram grandes riscos”, afirma a justificativa do júri. “Com a concessão do Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg ao grupo ‘Caesar’, o júri pretende também reportar-se à História de Nuremberg como berço do moderno Direito penal internacional”.

Eu nunca tinha visto nada igual

“Caesar”, fotógrafo militar sírio

Após a eclosão da guerra civil na Síria, em 2011, a tarefa de “Caesar” era fotografar os cadáveres de soldados sírios e de oposicionistas e arquivar sistematicamente as fotografias. Um trabalho, que se tornou cada vez mais insuportável para ele. “Eu nunca tinha visto nada igual”, afirmou ele posteriormente numa entrevista à jornalista francesa Garance Le Caisne, a cuja persistência deveu-se em grande parte, que as fotos de “Caesar” encontrassem o caminho para a sua publicação.

Coragem para agir

“Caesar” decidira-se a não continuar documentando silenciosamente, mas passou a agir: durante cerca de dois anos, ele copiou suas fotos sigilosamente em pen drives, que foram contrabandeados para fora do país, com a ajuda de amigos. Durante todo o tempo, ele correu risco de vida.

Em janeiro de 2014, as fotos de “Caesar” foram divulgadas na internet e classificadas de “confiáveis” por uma comissão de inquérito, constituída por antigos procuradores-chefe de tribunais penais internacionais. “Caesar” fugiu da Síria e vive hoje na Europa, segundo informação própria.

Já que a sua vida ainda continua sendo ameaçada, o fotógrafo não pôde participar da cerimônia em sua homenagem, na Ópera de Nuremberg. Garance Le Caisne o representou e recebeu o prêmio em seu nome.

Garance Le Caisne
Stadt Nürnberg/Christine Dierenbach

Símbolo da paz

O Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg é uma resposta da cidade às leis racistas do nazismo, promulgadas em Nuremberg em 1935. O prêmio deve “ser um símbolo para todo o mundo, de que nunca mais deverá partir de Nuremberg outros sinais que não sejam os de paz, de reconciliação, de compreensão e de respeito aos direitos humanos”, esclarecem seus iniciadores. O prêmio é dotado de 15.000 euros e é concedido a cada dois anos a pessoas ou grupos, que “de maneira exemplar e sob grande risco pessoal, empenharam-se e empenham-se pela defesa dos direitos humanos”.

Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg: Os premiados

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