Encontrando as pessoas

A cabeleireira Sherlym Hernandez, da Venezuela, fala sobre a grande sorte que teve, trabalhando como cabeleireira em um salão em Berlim.

Sherlym Hernandez trabalha como cabeleireira em Berlim.
Sherlym Hernandez trabalha como cabeleireira em Berlim. Stephan Pramme

Alemanha. “Trabalhando como cabeleireira, estou mais feliz do que nunca. E isto me surpreende a mim própria, pois trabalho nessa profissão há muito tempo e já queria fazer outra coisa. Estou feliz agora em ter contato com as pessoas  e encontrar com elas o estilo conveniente, sendo que ele pode ser também um pouco extravagante. O importante é que o corte seja natural.

Tenho 28 anos de idade e venho da Venezuela. Fiz um curso de formação de cabeleireira de dois anos, em uma cidade perto de Caracas, onde trabalhei alguns anos antes de emigrar para a Europa. A situação política no meu país era difícil. Minha família não pode mais comprar meios alimentícios. As prateleiras de muitos mercados estão vazias. Sempre envio dinheiro para minha mãe, pois sua situação me preocupa muito.

Vim primeiramente para a Itália, trabalhando como cabeleireira em Roma, mas o trabalho não me satisfazia. Mudei então para Berlim há quatro anos e queria aprender depressa alemão, para buscar um outro emprego. Mas o que aconteceu foi outra coisa. A escola integrativa prescrevia que os participantes tinham de trabalhar algumas horas na própria profissão, falando alemão. Achei esse salão aqui em Berlim simpático e perguntei se poderia fazer um estágio prático. Daí, comecei a trabalhar como cabeleireira autônoma e, pela primeira vez, me sinto realmente feliz nessa profissão.

Trabalho 40 horas em quatro dias por semana e dá para viver bem com o que eu ganho. Meus colegas são maravilhosos, os clientes são bacanas e as conversas são muito interessantes. Ninguém reclamou até agora que eu não falo perfeitamente alemão. Falo bem alemão quando se trata de cortes de cabelo, claro. De duas a três vezes por ano, fazemos cursos de orientação, pois os estilos mudam muito. Ainda não quero abrir um salão próprio. Adoro trabalhar autonomamente e ser flexível.

Protocolo: Nicole Sagener

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