O que é preciso saber sobre a documenta 14

Aqui há antídoto para a pobreza de espírito: quando o mundo artístico internacional declara Kassel como a sua capital, então os visitantes podem alegrar-se com experimentos e obras extremas.

documenta 14
dpa

documenta – o que é isso, de fato?

Resumindo: a documenta é a mais importante e maior exposição internacional de arte contemporânea. Os superlativos simplesmente fazem parte do evento em Kassel. Mas somente a cada cinco anos, pois esse é o ritmo em que a documenta acontece. Ela também é chamada de “Museu dos 100 Dias”, pois dura exatamente esse período. A primeira foi realizada em 1955, quando a República Federal da Alemanha ainda estava sob os efeitos da Segunda Guerra Mundial e era perceptível o isolamento do setor artístico internacional.

 

Arnold Bode, artista, curador e pedagogo foi o iniciador da ideia. Os nazistas tinham difamado muitas obras do modernismo como “arte degenerada”. A documenta deveria funcionar como “antídoto” para essa pobreza de espírito. Desde o início, ela representou a abertura e a liberdade da arte, o experimento, a vanguarda. E, por isso, há frequentemente aqui trabalhos controversos para se ver. Às vezes, isso é cansativo e emocionante, mas sempre interessante.

 

O que há de especial na documenta

A documenta é um posicionamento internacional da arte. Em cada exposição, um outro renomado curador internacional é responsável pela seleção dos artistas – e faz com que eles se manifestem sobre temas sociais. O resultado: a arte como um espelho da sua época, atual e comovente. Os trabalhos podem ser vistos em muitos lugares, em igrejas, teatros e naturalmente no Museu Fridericianum, bem como no pavilhão da documenta. O mapa da documenta mostra um total de 42 lugares. Quase um milhão de visitantes foram atraídos pela última documenta. Kassel, com seus 200.000 habitantes, torna-se então a metrópole internacional da arte.

 

A estreia do ano de 2017

Em Kassel, a documenta 14 tem início no dia 10 de junho – antes disso, ela já abriu o seu “segundo domicílio” em Atenas. Assim, a mostra alemã de arte é realizada pela primeira vez também no exterior – obras, performances e instalações de 160 artistas podem ser vistas ainda até o dia 16 de julho em mais de 40 lugares da capital grega. O lema é: “Aprender com Atenas”.

 

A cabeça por trás da documenta 14

Adam Szymczyk

O diretor artístico é o curador polonês Adam Szymczyk, nascido em 1970. Anteriormente, ele foi, entre outras coisas, diretor da galeria Kunsthalle da Basileia. Sua equipe compreende mais de 200 colaboradores em Atenas e Kassel.

 

As obras mais espetaculares em Kassel

A performance mais longa interliga Atenas e Kassel: na sua contribuição “The Transit of Hermes” para a documenta, o artista conceitual escocês Ross Birrell faz quatro cavaleiros cavalgarem por 3.000 quilômetros através da Europa, da Acrópole até o Norte do Estado de Hessen. Eles deverão chegar ao seu destino em julho. Os 160 artistas que expõem em Atenas também vão atuar ativamente em Kassel. Alguns destaques da exposição podem ser vistos em espaço público: o "Partenon dos Livros" da artista argentina Marta Minujín. Ela revestiu uma réplica da Acrópole com livros proibidos de todo o mundo. Na praça Friedrichsplatz, o artista Hiwa K., que vive em Berlim, fez uma instalação com tubos de construção – ele fugiu do Iraque dentro de um tubo semelhante sobre um caminhão. E um prédio histórico de Kassel, a Torwache, está coberto com velhos sacos de aniagem – um projeto de Ibrahim Mahama, de Gana.

 

A lista de artistas vai de A, como Abounaddara, um coletivo artístico sírio, até Z, como Artur Żmijewski, da Polônia. O que liga muitos participantes é a experiência com a migração e com a opressão política. Contudo, procura-se em vão os grandes astros do mundo artístico. O objetivo é a descoberta de novos talentos.

 

documenta 14, até o dia 17 de setembro de 2017

Mais informações sobre a história da documenta, em alemão:

www.kassel.de/kultur/documenta/geschichte/

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