O talento linguístico de Emil Krebs

Emil Krebs foi um gênio linguístico: o funcionário do Ministério das Relações Externas dominava 68 línguas. No ano em que se comemora seu 150º aniversário de nascimento, um novo livro homenageia seu talento excepcional.

Robert Kneschke/fotolia - Language

Alemanha. Certa vez, ele presenteou sua esposa com um livro de poesias persas, que ele recitou então para ela em latim – apesar de que ela não dominava nem uma, nem a outra língua. Mesmo assim, ele pôde ser entendido facilmente: era sua maneira de demonstrar amor, na qual ele reuniu com muita paixão o que guardava no coração. Sua esposa Amende e as línguas. Até a sua morte, Emil Krebs dominava 68 línguas, um total de 111 línguas e dialetos foi objeto das suas pesquisas, segundo conta seu sobrinho-neto Eckhard Hoffmann. Em 15 de novembro, celebra-se o 150º aniversário de nascimento desse gênio excepcional. O linguista nascido na Silésia, que sempre andava com um livro nas mãos e murmurando baixinho para aprender uma nova língua, não foi apenas um gênio em memorização. Ao “mensageiro do espírito” (Peter Hahn) pode ser atribuído também um capítulo próprio na História da diplomacia alemã. Pois ele sempre se esforçou não apenas para aprender a língua de povos estrangeiros, “mas também para compreender a sua índole, a partir do seu passado histórico”, segundo Eckhard Hoffmann, que pesquisa há anos a respeito do seu antepassado e publica em meados de abril de 2017 uma interessante monografia sobre a sua vida (“Emil Krebs – Ein Sprachgenie im Dienste der Diplomatie”, Editora Harrassowitz). 

Emil Krebs

Doze línguas até concluir o colégio 

Preservar também na tradução a essência de uma cultura contida no original e assim fazer dela um instrumento indispensável da compreensão dos povos foi o impulsor da carreira profissional de Emil Krebs. Essa carreira é ainda mais notável pelo fato de ter começado em condições extremamente modestas. Nascido na Baixa Silésia em 1867, como primeiro de dez filhos de um mestre carpinteiro, Emil Krebs frequentou inicialmente a escola de classe única do povoado. Quando tinha nove anos, caiu em suas mãos um dicionário alemão-francês. Ele aprendeu os vocábulos e apresentou orgulhosamente seus conhecimentos ao mestre-escola – sem conhecer contudo a pronúncia francesa. Apesar disso, seu talento para línguas foi imediatamente reconhecido. Quando concluiu o colégio em 1887, Emil Krebs já dominava doze línguas, oito das quais ele aprendera de maneira autodidata. Paralelamente ao seu estudo de Direito, ele finalmente formou-se também em culturas e línguas do Oriente, no Seminário de Culturas e Línguas Orientais, a fim de familiarizar-se com o seu sonhado destino de viagem, a China. Em 1893, o Ministério alemão das Relações Externas enviou-o finalmente para o império chinês, como intérprete.

Domínio completo das línguas

Krebs permaneceu lá quase um quarto de século, acompanhando importantes processos políticos, foi promovido a adido cultural e estabeleceu estreitas ligações diplomáticas para o seu país. Também com a viúva do imperador, que o apreciava muito como interlocutor. Até mesmo pelas autoridades chinesas, ele teria sido “consultado em questões de gramática”, recordou-se Werner Otto von Hentig, adido em Pequim a partir de 1911, na sua biografia publicada em 1962. Krebs não apenas dominava as línguas, escreveu ele, mas também falava tão perfeitamente, “que o único italiano em Pequim me pedia todas as vezes, que convidasse o dottore Krebs para um corte gratuito de cabelo no seu salão, ao que parece, para poder deleitar-se com o seu dialeto toscano”. Quando Krebs teve de deixar a China, após a entrada do país na Primeira Guerra Mundial, ele continuou trabalhando para o Ministério das Relações Externas em Berlim. Pouco tempo depois, afirmava-se lá que “ele nos vale por 30 funcionários no exterior”. No Departamento de Línguas do Ministério, ele traduziu textos oficiais de mais de 40 línguas até à sua morte. E sempre continuava aprendendo. A fim de cumprir suas enormes tarefas diárias, ele trabalhava às vezes até às três horas da madrugada. Em 31 de março de 1930, Krebs morreu em decorrência de um derrame cerebral. Enquanto traduzia.

Para o seu 150º aniversário de nascimento em 2017, também a atual Świdnica na Polônia, onde Emil Krebs frequentou a sua primeira escola, homenageará o gênio linguístico com diversos eventos. Entre outros, um simpósio sobre a situação atual da pesquisa sobre Emil Krebs, bem como uma exposição da história ilustrada de Melinda Kovacs-Mosbacher sobre a juventude de Krebs e seus primeiros passos no serviço diplomático.

Mais informações sobre Emil Krebs (em alemão)

Links sobre Emil Krebs em várias línguas

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