Abolição do dinheiro líquido?

Os alemães gostam de dinheiro líquido. Outros países limitam os movimentos do dinheiro líquido. E os cientistas discutem sobre isso. Um resumo.

dpa/Daniel Reinhardt - Bargeld

Uma olhada na carteira de um alemão normal revela: 103 euros em notas e moedas leva um cidadão adulto consigo, segundo um relatório do Bundesbank (Banco Federal Alemão). Ao lado do dinheiro líquido, as carteiras também contêm cartões de crédito e a EC-Karte. Já se pode também pagar através do celular ou da internet.

Mas, na maioria das vezes, se paga com dinheiro: quatro de cinco transações são feitas na Alemanha desse modo. O que a estatística também revela é que quanto mais jovem é a pessoa tanto menos se paga com dinheiro líquido.

Isso confirma a discussão cada vez mais acirrada sobre o futuro que o dinheiro líquido terá e deverá ter. Onze países da UE já dispõem de claros regulamentos legais sobre a quantia máxima que se deve pagar com notas e moedas. Na Polônia, ela é de 15 000 euros, em Portugal e na Itália, de 1 000 euros. Este é também o limite válido na França a partir de setembro de 2015 para transações nacionais.

O fim do tráfico de droga, da corrupção e do trabalho não declarado

Os inimigos de moedas e notas, como Peter Bofinger, um dos cinco economistas especialistas do grupo “Wirtschaftsweisen”, argumentam que as transferências de pagamento completamente sem dinheiro líquido economizam muito tempo e dinheiro. Desta maneira, não se esperaria mais pelo troco no supermercado. O trabalho não declarado seria muito mais difícil, dado que todas as transferências poderiam ser verificadas. Seria também mais difícil ocultar a corrupção. E o tráfego de drogas teria um sério problema. Além disso, as empresas não precisariam pagar os custos de transação, como para o controle de dinheiro falsificado ou para o transporte de dinheiro. Finalmente, os economistas acreditam em melhores possibilidades de controle da política monetária, se os cidadãos não guardarem em casa enormes somas de dinheiro em caso de juros baixos ou negativos.

Os defensores do dinheiro líquido, como Lars Feld, outro economista dos cinco “Wirtschaftsweisen”, advertem que pode haver transferências transparentes demais, que poderiam surgir quando estas fossem feitas exclusivamente de maneira virtual. Não haveria nenhum motivo de privar os cidadãos de qualquer meio de pagamento. Pelo contrário, eles deveriam continuar tendo a possibilidade de escolha. Os adeptos desta ideia gostam de se referir a um dito que se supõe ser de Fiódor Dostoiévski: “O dinheiro é liberdade cunhada”.

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