Alemanha e Brasil: Parceiros em clima, física quântica e o universo
Katharina Fourier, da Casa Alemã de Ciência e Inovação de São Paulo, explica por que este é o momento certo para reforçar a cooperação em áreas promissoras.
Durante as consultas governamentais entre a Alemanha e o Brasil, realizadas em abril de 2026 em Hannover, os dois países definiram seis áreas-chave para a cooperação em pesquisa e inovação. Quais são elas e por que foram escolhidas?
Trata-se de clima, energia, pesquisa marinha, matérias-primas, tecnologias quânticas e espaço – todos temas do futuro que dizem respeito a desafios globais. Nos quatro primeiros setores, o Brasil ocupa uma posição-chave graças ao Amazonas, à extensa costa atlântica, a um mix energético fortemente baseado em energia verde e a importantes matérias-primas – a Alemanha complementa isso com grande competência em pesquisa, conhecimento tecnológico e experiência na aplicação prática. As tecnologias quânticas ainda são um campo de futuro para o Brasil. A Alemanha possui um vasto conhecimento nessa área. Uma cooperação pode acelerar a integração do Brasil às tendências internacionais. No setor espacial, a experiência brasileira em observação da Terra e da Amazônia, bem como em monitoramento ambiental, complementa os pontos fortes alemães em tecnologia, sensoriamento e análise de dados.
Não se trata de uma transferência unilateral de tecnologia, mas de uma parceria entre iguais.
Por que a cooperação entre a Alemanha e o Brasil é tão importante justamente neste momento?
Vivemos em um mundo marcado por incertezas geopolíticas, mudanças nas cadeias de abastecimento e novas dependências. As questões relacionadas ao futuro apenas podem ser resolvidas em âmbito internacional. Isso confere ainda mais importância a essa parceria de longa data: O Brasil possui uma sólida base científica, vastos recursos naturais, enorme potencial em energias renováveis e biodiversidade, além de um cenário dinâmico de inovação. A Alemanha conta com um sólido panorama de pesquisa e indústria. Não se trata de uma transferência unilateral de tecnologia, mas de uma parceria entre iguais.
Que parcerias de pesquisa já existem e quais são os resultados alcançados?
Existem muitas parcerias consolidadas e de grande sucesso em diversos campos. Um projeto emblemático da pesquisa climática internacional é o Amazon Tall Tower Observatory. Há anos, fornece dados climáticos e atmosféricos da Amazônia. Com a PROBRAL, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, ou seja: DAAD, e a agência brasileira de financiamento CAPES apoiam, há mais de 30 anos, mais de 600 projetos sino-brasileiros, entre outros, nas áreas de energia, clima e água. As parcerias com instituições de ensino superior abrangem temas como energia eólica offshore e eletrônica de potência, governança hídrica e adaptação às mudanças climáticas, bem como captura de CO₂, hidrogênio e combustíveis sustentáveis. Em 2023, o DAAD e a Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional, ou seja: GIZ, com o NoPa 2.0, um programa de pesquisa conjunto no setor energético voltado para o hidrogênio verde, Power-to-X, eletrificação e armazenamento de energia. Esses programas criam redes duradouras, que muitas vezes resultam em inovação e aplicação prática.
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Abrir formulário de consentimentoEm que área você vê o maior potencial e por quê?
É a combinação entre clima, energia e transformação sustentável que oferece o maior potencial. O Brasil tem uma vantagem competitiva em termos de sustentabilidade: Grande parte da energia elétrica já é proveniente de fontes hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa. Isso oferece enormes oportunidades para uma industrialização sustentável. O Nordeste do Brasil, em particular, está se tornando um centro de energia eólica, solar, hidrogênio verde e novas cadeias de valor industrial. Lá fica bem claro o quanto a pesquisa, a inovação e a transformação econômica estão intimamente ligadas, pois se trata de armazenamento de energia, ampliação da rede, hidrogênio, combustíveis sustentáveis e descarbonização de processos industriais. Por isso, o DAAD está ampliando sua presença em Fortaleza, a fim de fortalecer o networking e as cooperações nessas áreas estratégicas para o futuro.
Quais são os desafios que você vê e como é possível minimizá-los?
Os sistemas de ciência e inovação funcionam de maneiras diferentes. As lógicas de financiamento, os trâmites administrativos, os cronogramas, o reconhecimento de diplomas, a língua ou os direitos de propriedade intelectual podem dificultar as cooperações. Além disso, é necessário contar com financiamentos de longo prazo e confiáveis. Boas parcerias de pesquisa levam tempo. A própria transformação também exige novas estruturas: Redes de energia, sistemas de armazenamento, infraestrutura digital e mão de obra qualificada, cooperações sustentáveis e transparentes no setor de matérias-primas com geração de valor local. Novas tecnologias, como a inteligência artificial ou a computação quântica, exigem confiança, padrões e regras comuns. Para isso, são necessários interlocutores confiáveis, informações transparentes, programas de apoio conjuntos, financiamento de longo prazo, mobilidade e redes de contato.
Vitrine da inovação alemã
A Casa Alemã de Ciência e Inovação (DWIH) de São Paulo promove a visibilidade da Alemanha como centro de inovação no Brasil e cria redes de contato entre as instituições científicas dos dois países. Existem outros DWIH em Nova Délhi, Nova York, São Francisco e Tóquio.