Pular para conteúdo principal

Agricultura inteligente para a América Latina feita na Alemanha

A tecnologia alemã impulsiona a modernização da agricultura, principalmente no Brasil. Tanto grandes empresas quanto startups estão trabalhando nisso.

Ralf Isermann Ralf Isermann, 30.12.2025
Farmer in einem Sojafeld
Farmer in einem Sojafeld © Adobestock/Maxximmm

O que a região de Münsterland tem a ver com o fato de a criação de suínos ser mais bem-sucedida no Brasil? Muito, diz Marcio Schmidt. O brasileiro vive há 15 anos na Alemanha e fundou a empresa Temu Smart Farming em Stadtlohn, na região de Münster. Seu foco: A digitalização da agricultura. “Queremos digitalizar e, assim, melhorar o aperfeiçoamento da criação de animais”, afirma o homem de 47 anos. Na região de Münster, ele encontrou o que não havia encontrado na China e na Índia: uma região predominantemente agrícola e grande engenharia. Existem muitos problemas na agricultura global que podem ser resolvidos com tecnologia moderna. Os engenheiros alemães são excelentes nisso.”

Mercado em forte crescimento

Schmidt e sua equipe participam de uma competição que está ganhando força. A tecnologia alemã impulsiona a digitalização da agricultura na América Latina – um mercado em enorme crescimento. Uma das razões para isso é o potencial ainda considerável, especialmente no Brasil. 

A isso se soma a previsível abertura dos mercados por meio do acordo entre a UE e o Mercosul. Após mais de 25 anos de negociações, prevê-se a eliminação da maioria dos direitos aduaneiros entre a União Europeia e os países do Mercosul: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Enquanto a UE exporta principalmente automóveis e produtos químicos para a América Latina, os produtos agrícolas e as matérias-primas são os principais produtos importados da América Latina para a Europa.

Tecnologias alemãs em alta

O fato de os produtos agrícolas poderem ser produzidos de forma mais eficiente também se deve à tecnologia alemã. Um dos principais intervenientes é a empresa química BASF. A empresa pretende melhorar a produtividade nos campos, especialmente no cultivo de soja, milho e algodão. Isso oferece potencial de crescimento para as exportações e também deve reduzir a desnutrição no mundo. Além da BASF, muitas outras empresas alemãs estão ativas. Por exemplo, a fabricante de máquinas Bosch está trabalhando na automação da agricultura. Com um sistema denominado “One-Spray”, fertilizantes e herbicidas podem ser pulverizados nos campos de forma mais precisa, econômica e ecológica.

Marcio Schmidt desempenha um papel ainda relativamente pequeno com Temu. No entanto, ele encara o futuro com otimismo. Em uma feira na China, ele conquistou seu primeiro cliente da América do Sul – um agricultor do Paraguai. Com uma combinação de software e eletrônica, Schmidt e sua equipe digitalizaram sua criação de suínos. Assim, o agricultor pode monitorar todos os desenvolvimentos em sua fazenda, independentemente da sua localização. Se um animal fica doente ou uma instalação não funciona, a tecnologia fornece informações a esse respeito. Os criadores de animais podem identificar e resolver problemas diretamente por meio de ferramentas digitais. Entretanto, a empresa de Schmidt também conquistou clientes no Brasil. 

German Accelerator: O turbo para startups

Para Marcio Schmidt, o German Accelerator foi um facilitador no Brasil. Por encomenda do Ministério Federal da Economia e Energia, o programa apoia startups em sua expansão internacional. Schmidt diz que, apesar de ser brasileiro de nascimento, foi difícil para ele entrar no mercado local. Entretanto, a Temu tem agora um funcionário próprio no Brasil. A colaboração com a German Accelerator foi tão bem-sucedida que a empresa também a contratou para acompanhá-la na Argentina, Colômbia e México.

Segundo Schmidt, o mercado brasileiro é especial. Ele sempre se perguntou como os pequenos Países Baixos conseguem vender mais no setor agrícola do que o grande Brasil, conta o empresário. O potencial não foi aproveitado por muito tempo. Isso está mudando com a automação e a digitalização. “O Brasil é um país grande. Há muita área cultivável e relativamente pouca população. Por isso, o Brasil precisa se automatizar.” Para os agricultores, as condições são ideais e os custos de produção baixos. Isso se deve também às excelentes condições dos campos. A soja pode ser colhida três vezes por ano.

Tratores, colheitadeiras e tecnologia de fertilização da Alemanha

Muitos fabricantes alemães estão presentes no Brasil. A fabricante de máquinas agrícolas Horsch, sediada na Baixa Baviera, entrou no maior país da América do Sul em 2015 e, entretanto, ampliou sua fábrica em Curitiba. A fabricante de tratores Fendt está presente em 36 locais no Brasil e agora pretende produzir tratores e colheitadeiras também na Argentina. Em 2024, a fabricante alemã de tecnologia de fertilização Amazone também se aventurou na América Latina.

O Ministério Federal da Agricultura alemão descreve o Brasil em seu último relatório como o “celeiro do mundo”. Lá, a demanda por tecnologia agrícola moderna cresce constantemente. De acordo com as estimativas do ministério, as taxas de crescimento anuais são de 4,6 por cento, e até 2028 os agricultores locais precisarão de equipamentos no valor de 8,9 bilhões de dólares americanos. Como mais da metade dos tratores utilizados no Brasil tem mais de 15 anos, os fabricantes alemães poderiam introduzir suas soluções de agricultura inteligente no mercado e, assim, impulsionar a modernização.

Participe da nossa pesquisa!

Sua opinião é importante!

Aproveite a oportunidade e ajude a desenvolver ainda mais o site deutschland.de. Aguardamos suas ideias com expectativa!

A participação é anônima e leva apenas alguns minutos!

Para acessar a pesquisa, clique aqui.