O movimento “Fridays for Future” está transformando o mundo?

Svenja (16) e Linus (15) descrevem o que motiva os jovens defensores do clima na Alemanha e qual êxito eles estão conseguindo.

Fridays for Future Alemanha:  Svenja Kannt, Sebastian Grieme, Linus Steinmetz e Sana Strahinjic (esq/dir).
Jovens ativistas do clima apresentam suas reivindicações dpa

Os jovens estão preocupados com o futuro da sua geração. Desde meses, milhares de alunos também estão saindo todas as sextas-feiras às ruas na Alemanha, para protestar pela proteção do clima. Entre esses ativistas de “Fridays for Future Alemanha” estão Svenja Kannt, de 16 anos, e Linus Steinmetz, de 15 anos.

Svenja e Linus, o que os motiva a protestar por uma maior proteção do clima, participando do movimento “Fridays for Future”?

Linus: Antes, eu já era politicamente ativo, por exemplo como representante dos alunos na escola. O clima e o meio ambiente sempre foram importantes para mim, mas não sabia bem o que fazer. Quando meus amigos se reuniram para começar uma greve escolar do clima na sua cidade, também fundei um grupo de “Fridays for Future” para o meu Estado Federal da Baixa Saxônia e a minha cidade natal de Göttingen. Desde que estamos protestando nas ruas, tenho a impressão de que podemos conseguir que os adultos finalmente venham nos dar ouvidos.

Svenja: O que me motiva e outros ativistas é a preocupação pelo futuro, se não reagirmos imediatamente. O governo não está assumindo responsabilidade frente à jovem geração.

Svenja Kannt
Svenja Kannt privat

Quais são as reivindicações centrais de “Fridays for Future”?

Svenja: O consenso internacional deste movimento é limitar o aquecimento global a menos de 1,5 grau Celsius. “Fridays for Future Alemanha” elaborou um catálogo de reivindicações de seis pontos:
 

  • Zero emissões líquidas até 2035
  • Abandono do carvão até 2030
  • 100 por cento de abastecimento de energia renovável até 2035
  • Supressão das subvenções para as fontes fósseis de energia até fins de 2019
  • Desativação de um quarto das usinas de carvão
  • Imposto de CO2 de 180 euros por tonelada de CO2
     

A mudança do clima não é negociável

Svenja Kannt, ativista de “Fridays for Future”

O que se conseguiu na Alemanha até agora?

Svenja: Em poucos meses, conseguimos mobilizar 300 mil pessoas. E a proteção do clima está sendo discutida publicamente com mais intensidade. Mas nossas reivindicações têm de ser cumpridas pela política, pois a mudança do clima não é negociável. Isto significa: só teremos sucesso se o objetivo de 1,5 grau for cumprido. Atualmente estamos tendo um grande apoio público. Não podemos mais passar despercebidos.

Linus: Em fevereiro, publicamos uma carta aberta sobre o abandono do carvão, tendo sido convidados em dois dias para falar perante a Comissão do Carvão, a qual decide sobre o destino das usinas de carvão da Alemanha.

Linus Steinmetz
Linus Steinmetz Kai Löffelbein

Como os ativistas alemães estão conectados com os jovens de todo o mundo?

Svenja: “Fridays for Future Alemanha” mantém uma intensa conexão com outras dependências desse movimento tanto na Europa como  globalmente. Já foram planejadas manifestações internacionais e em todas as grandes cidades no dia 24 de maio, antes das eleições europeias, e uma manifestação de três países em Aachen, no dia 21 de junho. A meta que queremos e temos de alcançar é um objetivo internacional. A Alemanha não pode fazer muita coisa sozinha.

“Fridays for Future” pode mudar o mundo?

Linus: Sim, categoricamente! Já mudamos muita coisa no mundo até agora. Espero que tenhamos dado impulsos aos 300 mil grevistas que saíram às ruas na Alemanha no dia 15 de março. Nós possuímos poder político. Os políticos na Alemanha começam a nos ouvir.

O que vocês respondem aos críticos das greves escolares ou às pessoas que duvidam da mudança do clima?

Linus: Não vale a pena discutir se podemos fazer greves ou não, pois o tema propriamente dito é a mudança do clima. Eu gostaria mais de ir à escola às sextas-feiras, mas não posso por culpa dos adultos, pois tenho de tomar meu destino nas minhas próprias mãos. Noventa e sete por cento dos cientistas dizem que a mudança do clima existe. Isto deveria bastar como explicação.

 

Entrevista: Tanja Zech

 

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