Uma aldeia com energia

Promotora da virada energética: Doreen Raschemann ajudou a fazer de Feldheim a primeira povoação energeticamente autossuficiente da Alemanha.

Energiequelle GmbH - Feldheim

Feldheim, perto de Potsdam no Estado de Brandemburgo, tem somente 135 habitantes. Mas este pequeno lugar é visitado por mais de 3 500 turistas todo ano, desde classes escolares e delegações internacionais até o chefe de Estado de Myanmar. O que torna Feldheim tão interessante? Ela é a primeira povoação energeticamente autônoma da Alemanha, produzindo, ela própria, eletricidade e calor através de instalações eólicas e de biogás. No inverno, uma central térmica funciona com lenha de árvores mortas da floresta local. Desta maneira, os preços de eletricidade são os mais baratos e o abastecimento com calefação é seguro.

Doreen Raschemann, hoje com 45 anos de idade, veio para esta aldeia em 2008, sendo uma das primeiras pessoas a participar desta ação. Em 2010, os habitantes foram conectados à própria rede de eletricidade. “Feldheim comprovou que é possível ter um abastecimento de 100% de fontes renováveis de energia”, diz o diretor do Novo Foro de Energias de Feldheim (NEF).  Este foro, fundado para enfrentar a afluência de turistas, instalou em um velho restaurante um centro de informação, onde acontecem regularmente exposições e apresentações e onde classes escolares podem fazer experimentos práticos, adquirindo conhecimentos sobre a eletricidade solar ou a energia eólica.

Eletricidade eólica para 65 000 casas

Doreen Raschemann lembra-se de que nessa aldeia só existiam quatro turbinas eólicas e uma pequena instalação de biogás. Hoje são 55 turbinas eólicas que fornecem a quantidade de energia necessária para abastecer 65 000 casa da região. Uma usina de regulação compensa as oscilações na rede de abastecimento. Caso necessário, o acumulador de energia pode aumentar a capacidade de distribuição a dez megawatts, quando a força eólica é fraca. Existe também um parque solar, instalado a pouca distância em uma antiga área militar. Uma comissão do Quênia já esteve nesta aldeia, examinando detalhadamente a instalação fotovoltaica, pois apenas um módulo poderia abastecer com eletricidade toda uma aldeia do Quênia.

Uma chance para regiões rurais

“Não temos aqui nenhum desemprego”, diz Raschemann, que é procuradora de “Energiequelle”, a executora do projeto. Este tema é importante para Raschemann. Para os lavradores do ramo de laticínios desta região, o aproveitamento da bioenergia é uma base extra de apoio, frente às constantes baixas do preço do leite. “A força econômica é assegurada, pois o dinheiro que é ganho aqui com a energia também fica aqui. Geramos aqui um circuito de valores fechado”, diz Raschemann. O parque eólico, que agora se tornou enorme, já tem muitas empresas gestoras. E muitos habitantes de Feldheim também são sócios de uma “turbina eólica dos cidadãos”, através de uma sociedade em comandita. Aliás, Doreen Raschemann possui um carro híbrido, para seu uso privado, o qual ela abastece no posto de eletricidade perto do NEF, pois, para curtas distâncias, ela só precisa de eletricidade. É claro que este posto de eletricidade é abastecido pelo parque eólico vizinho. 

www.nef-feldheim.info

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