Uma chance histórica

O que a Coreia do Norte realmente deseja e como a Alemanha poderia contribuir para a transformação positiva. O especialista em Coreia, Bernhard Seliger, esclarece isso. 

Begegnung der koreanischen Staatschefs in Panmunjom
dpa

Bernhard Seliger é diretor do escritório da fundação Hanns Seidel Stiftung em Seul. Com seu trabalho, ele deseja dar uma contribuição à aproximação entre a Coreia do Norte e do Sul e à comunidade internacional. Três perguntas ao especialista em Coreia.

Especialista em Coreia, Bernhard Seliger
Especialista em Coreia, Bernhard Seliger privat

Sr. Seliger, o encontro de Donald Trump e Kim Jong-un em Singapura foi comemorado como uma “reviravolta histórica”. Que levou a essa mudança repentina?
Já desde a posse do presidente Moon Jae-In na Coreia do Sul, em maio de 2017, havia a esperança de uma nova edição da “Política do Sol” sul-coreana. A Coreia do Sul trabalhou então realmente pela normalização das relações políticas na península coreana. Ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre a Coreia do Norte. A pressão exercida pelos EUA sobretudo através de sanções, das quais a China finalmente participou, contribuiu certamente para a mudança. Por outro lado, o líder norte-coreano Kim Jong-un já havia alcançado as metas estratégicas da sua política, a expansão concomitante da economia e do poder militar. Se ele de fato vai desistir das armas atômicas e dos mísseis, é contudo incerto, pois até agora só partiram dos dois lados apenas declarações, mas ainda não houve nenhuma medida concreta.

Os coreanos do Norte estão muito interessados em superar a política de confrontação.

Dr. Bernhard Seliger, diretor do escritório da fundação Hanns Seidel Stiftung em Seul

A exemplo da fundação Hanns Seidel Stiftung, como podem organizações alemãs contribuir para eliminação das tensões?
Eu creio que os norte-coreanos estão muito interessados em superar a política de confrontação. Para que isso seja logrado, são necessários também passos internacionais de entendimento. Exatamente a Alemanha, com uma rede de fundações políticas, amplos interesses econômicos na Ásia, organizações de intermediação cultural e humanitária e excelentes relações com a maioria dos países da região, tem excelentes condições prévias para colaborar nisso. Por exemplo, através de viagens de pesquisa e bolsas de estudo para norte-coreanos, em setores selecionados.

Alguns observadores afirmam que Kim Jong-un procura imitar o reformador chinês Deng Xiaoping. Outros são de opinião que ele também leva em consideração o destino da RDA. Que cenário o senhor acredita ser o mais provável?
Naturalmente, para Kim Jong-un seria preferível uma transição ordenada para uma economia nacional de forte crescimento, com a manutenção do controle sobre o Estado e a população, como foi tentado pela China. Uma importante condição prévia seria a implementação ampla e verificável da desnuclearização. A isso se junta a pergunta, até que ponto a Coreia do Sul, com sua economia e população dinâmicas, pode ser um ponto de atração para a Coreia do Norte. Nós vivemos algo semelhante na Alemanha. Como isso evoluirá, continua em aberto – mas os encontros de cúpula entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, bem como entre a Coreia do Norte e os EUA, constituíram um primeiro importante passo na direção certa.

Entrevista: Martin Orth

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