“Não somos nenhuma polícia eleitoral”

Por que as eleições ao Parlamento Alemão serão pela primeira vez observadas pela OSCE? George Tsereteli explica.

Eleições ao Parlamento Alemão em 2107. George Tsereteli é diretor da Missão de Observação de Eleições da OSCE
Eleições ao Parlamento Alemão em 2107. George Tsereteli é diretor da Missão de O oscepa/Flickr

Foto: © Creative Commons CC BY-SA 2.0

Alemanha. George Tsereteli, da Geórgia, é vice-presidente da Assembleia Parlamentar da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Ele coordena a missão de observação das eleições parlamentares na Alemanha e é diretor de uma delegação de 50 parlamentares de 20 países-membros da OSCE.

“A decisão de observar pela primeira vez as eleições parlamentares na Alemanha resulta de um convite do governo federal alemão. É uma prática habitual nos países da OSCE. Nosso parceiro, o Büro für demokratische Institutionen und Menschenrechte (ODIHR),  (Escritório para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR)), já enviara para a Alemanha pequenos grupos de peritos paras as eleições de 2009 e 2013. Agora, esta é uma missão mais ampla de observação das eleições na Alemanha a encargo da OSCE.

Observar eleições não é nenhuma mácula

Em países, onde já estivemos muitas vezes em ação, as autoridades já estão acostumadas com a observação de eleições. Mas aqui, na Alemanha, nem todos sabem quem nós somos e qual é nossa tarefa. Precisamos de mais tempo para nos apresentarmos e o nosso trabalho.

Talvez alguns alemães fiquem irritados com a observação das eleições parlamentares pela OSCE. Eu garanto a essas pessoas que não há motivo para se preocupar. Não importa se é o caso de uma democracia jovem ou já estabelecida. Com a ajuda dos peritos internacionais, todo país pode aprender algo sobre seu próprio sistema eleitoral. É claro que a mídia se manifesta sobre a observação de eleições, sobretudo quando ela pode informar sobre algo dramático, como no caso da apuração antidemocrática das eleições. Mas a observação de eleições não pode ser interpretada como mácula. Só queremos que os procedimentos sejam mais transparentes.

Para mim, como político, é muito interessante ter uma ideia mais sólida do dia a dia político da Alemanha. Acompanhei com muita atenção toda a preparação das eleições ao Parlamento Alemão, tudo o que tem a ver com a segurança cyber ou tudo que possa exercer influência internacionalmente.

O andamento é honesto, livre e correto?

Preparando nosso trabalho, analisamos a fundo o sistema eleitoral alemão. Encontramo-nos também com peritos da política e representantes dos partidos, das autoridades eleitorais, da sociedade civil e da mídia. Observamos muito bem, antes das eleições, a atmosfera e as condições das campanhas eleitorais. Os partidos podem fazer suas campanhas sem dificuldade? Todos têm acesso justo à mídia?

Não somos nenhuma “polícia eleitoral”. Não damos instruções nem conselhos.

George Tsereteli, coordenador da missão de observação de eleições da OSCE.

Antes da nossa atuação no dia das eleições, passamos dois dias em Berlim, para dialogar e nos preparar para a nossa missão. Depois, a nossa delegação se divide. Alguns observadores ficam em Berlim, outros viajam para diferentes partes da Alemanha. Os observadores formam dois grupos que visitam uma série de seções eleitorais, passando normalmente meia hora em cada uma delas. Cada grupo visita até 15 seções eleitorais. Nós observamos o procedimento de abertura, de manhã, o andamento da votação durante o dia e o fechamento da seção eleitoral à tarde.   

Importante é que não somos nenhuma “polícia eleitoral”. Não damos instruções nem conselhos. Simplesmente observamos e fazemos algumas perguntas fácies aos mesários. Nossa atenção está concentrada principalmente nos fatores decisivos de uma votação livre, ou seja: Os eleitores podem dar seu voto em segredo? Os resultados são documentados honesta e exatamente?

Depois do fechamento das seções eleitorais, todos os grupos comunicam suas observações ao centro de operações. No dia seguinte às eleições parlamentares, expomos nossas impressões em uma coletiva de imprensa”.

Protocolo: Tanja Zech

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