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Existe uma segunda Terra?

Astrobiologistas do Instituto Max Planck procuram vida no espaço. Um sistema estelar é particularmente fascinante para eles.

Kim BergKim Berg, 01.04.2026
Uma nuvem de poeira brilhante no espaço.
Uma visão do espaço com o Telescópio James Webb. © picture alliance / Cover Images | NASA/ESA/CSA/STScI/Cover Images

Sete mundos orbitam uma pequena estrela a cerca de 40 anos-luz da Terra. Para os astrobiologistas, o sistema Trappist-1 é como um laboratório de testes para aquela que talvez seja a maior questão de todas: Será que existe vida lá fora?

“O sistema é extremamente interessante”, afirma Eva-Maria Ahrer, pós-doutoranda no Instituto Max Planck de Astronomia (MPIA) em Heidelberg. Afinal, vários dos sete planetas do tamanho da Terra estão localizados na chamada zona habitável, ou seja, naquela região onde, em teoria, seria possível a existência de água e, consequentemente, de vida.

Ilustração do sistema Trappis-1.do Trappis-1-SD
Sete planetas orbitam a estrela Trappis-1. © NASAJPL-Caltech

Descobrir a atmosfera através da luz

No MPIA, pesquisadores estudam as atmosferas desses planetas distantes. Com informações, por exemplo, provenientes de observações feitas com o Telescópio James Webb, eles analisam quais gases podem ser detectados nesses locais e se entre eles há biossinais que indiquem vida passada ou presente. Para isso, os pesquisadores usam a luz das estrelas que atravessa a atmosfera do planeta e, com base no brilho e nas cores, determinam quais gases ela contém.

“No caso de planetas maiores, muitas vezes conseguimos medir com precisão, por exemplo, vapor de água ou dióxido de carbono”, afirma Ahrer. No entanto, no caso de planetas pequenos semelhantes à Terra, como os do sistema Trappist-1, a situação torna-se bem mais difícil: Suas atmosferas são rarefeitas, os sinais são fracos e, muitas vezes, as medições estão no limite do que é tecnicamente possível.

É possível que surja vida em outros planetas?

Além disso, há problemas causados pelas próprias estrelas. Trappist-1 é uma estrela do tipo anã vermelha – pequena, fria, mas altamente ativa. A radiação e as erupções podem não apenas distorcer os dados de medição, mas também alterar ou até mesmo destruir as atmosferas dos planetas. “A estrela é, atualmente, uma das maiores incertezas na interpretação”, afirma Ahrer.

É interessante investigar se pode haver vida em planetas que orbitam uma estrela que não se assemelha em nada ao Sol.
Eva-Maria Ahrer, pós-doutoranda no Instituto Max Planck de Astronomia (MPIA)

No entanto, é justamente essa incerteza que se revela particularmente interessante do ponto de vista científico. Afinal, Trappist-1 difere fundamentalmente do nosso sistema solar. “É fascinante investigar se pode haver vida em planetas que orbitam uma estrela que não se assemelha em nada ao Sol”, diz Ahrer. 

Ilustração do sistema Trappis-1.
Vários planetas do sistema Trappis-1 estão localizados na zona habitável. © NASAJPL-CaltechR. Hurt, T. Pyle (IPAC)

A zona habitável, isoladamente, não é indicativa da existência de vida

No entanto, até agora, o balanço é desanimador. “Atualmente, não há nenhum planeta em outro sistema para o qual tenhamos indícios convincentes de condições propícias à vida”, afirma Markus Nielbock, porta-voz do MPIA. A zona habitável também seria apenas uma referência aproximada. “Esse critério não é particularmente significativo”, afirmou Nielbock. Afinal, até mesmo Marte está nessa zona e, mesmo assim, é inóspito.

Por isso, será fundamental a rapidez com que os métodos de observação evoluam e a precisão com que as atmosferas poderão ser analisadas no futuro. “Com métodos de medição cada vez mais precisos, será possível alcançar avanços significativos na busca por uma ‘segunda Terra’ nas próximas décadas”, afirma Nielbock.