Por maior diversidade na mídia

Como a “Neue deutsche Medienmacher“ (“Novos Profissionais da Mídia Alemã“) se empenha para que trabalhem mais profissionais de mídia de famílias imigrantes nas redações.

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Na Alemanha deveria haver mais jornalistas e redatores com biografia de migração, considera Sheila Mysorekar, presidente da associação Neue deutsche Medienmacher (NdM), fundada em 2008. Nela, empenham-se entretanto 1.250 profissionais de mídia por maior diversidade nas mídias e no debate público.

Sra. Mysorekar, sua associação reivindica maior diversidade no noticiário. Por que esse tema é tão importante?

Trata-se de igualdade de chances e de coesão social, principalmente em face da crescente polarização. Um grupo cada vez maior de pessoas vê-se pouco representado nas mídias. As minorias com biografia de migração aparecem frequentemente apenas nas notícias negativas.

A mídia informa muito pouco sobre discriminação estrutural – ou também sobre o que funciona bem no convívio diário. As informações parciais fortalecem os preconceitos.

Sheila Mysorekar
Sheila Mysorekar Thomas Lobenwein

A consciência pública desse problema está aumentando, isso é mostrado também através do rápido aumento do número de associados da NdM. Quais são as razões disso?

Na Alemanha, um quarto da população tem uma biografia de migração. Cada vez mais pessoas com sobrenomes não alemães têm voz ativa em diversos níveis. A mídia privada e as emissoras de direito público reconhecem cada vez mais que a informação jornalística tem de ser diversificada. Mas os meios impressos transformam-se de maneira muito lenta. Mesmo apesar de que poderiam ganhar novos grupos de leitores através de maior pluralidade.

Perspectivas variadas em vez de noticiário parcial
Perspectivas variadas em vez de noticiário parcial dpa

Nas emissoras e jornais alemães, há sem dúvida alguns jornalistas proeminentes de famílias de imigrantes. Apesar disso, a sua cota total é avaliada em apenas cinco por cento. Por que somente poucos profissionais de mídia são provenientes de famílias de imigrantes?

As pessoas de famílias de trabalhadores, das quais descendem a maioria dos migrantes, raramente logram acesso às profissões da mídia na Alemanha. Isso é tratado no nosso programa de tutoria: colegas de renome ajudam jornalistas novatos a conquistar um lugar na profissão. Além disso, nós relatamos aos departamentos de formação e de reciclagem da mídia sobre a vantagens da diversidade e oferecemos treinamentos de mídia para organizações.

Como a NdM fomenta ainda a transformação?

Nos programas de entrevistas, por exemplo, tomam parte geralmente os mesmos, via de regra, especialistas brancos alemães. Muitas redações afirmam que lhes falta simplesmente outros contatos. No nosso banco de dados “Vielfaltfinder”, os jornalistas podem encontrar agora, para muitos temas, os respectivos especialistas de famílias de imigrantes. E nós preparamos um glossário para as redações, com recomendações para uma formulação imparcial dos textos jornalísticos.

Sua associação iniciou também em 2016 o “No Hate Speech Movement Deutschland”. Por que isso foi necessário?

Falta solidariedade com os afetados. Além disso, são necessárias maiores análises políticas da questão sobre como combater e reprimir os comentários de ódio. Queremos criar maior consciência sobre suas péssimas consequências e disponibilizamos instrumentos, com os quais os afetados podem reagir às ofensas. Quem sabe escrever, pode se defender. Essa é a nossa opinião. E quem já não tem mais força para isso, encontra ajuda na nossa página na internet, sob o título “Counter Speech”, com frases, memes e vídeos para baixar.

Projetos de “Neue deutsche Medienmacher”:
 

Entrevista: Nicole Sagener

 

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