“No campo, o forte sentimento de união é a democracia vivida”
Por que Marthe Vellguth, como presidente federal da Juventude Rural Alemã, defende as áreas rurais e adota uma postura firme contra o extremismo.
Marthe Vellguth (25) vem da pequena cidade de Elsdorf, no estado da Baixa Saxônia, estuda medicina em Hamburgo e é presidente voluntária da Associação da Juventude Rural Alemã (BDL) desde abril de 2026. Por que ela quer voltar para sua terra natal após os estudos e o que a vida no vilarejo tem a ver com a democracia, ela conta na entrevista.
Marthe, você vem de um vilarejo, mas estuda em uma cidade grande. Sinceramente: Não é muito mais emocionante lá?
Claro, Hamburgo também tem lugares bonitos! Mas sinto falta do sentimento de comunidade de casa. No vilarejo, as pessoas se conhecem, ajudam-se e mantêm-se unidas. Na cidade grande, por outro lado, tudo é bastante anônimo. E quando estou estressada, não há nada melhor para mim do que uma caminhada pela natureza. Por isso, vou à minha terra natal várias vezes por mês. Depois da faculdade, quero muito voltar e trabalhar como médica rural.
Você é ativa na BDL desde 2018, agora até como presidente federal. Afinal, o que vocês fazem, além de comemorar as festas dos atiradores e da colheita?
Elas fazem parte disso! (ri) Cultivamos as mais diversas tradições, por exemplo, danças folclóricas, música, costumes e trajes típicos, organizamos festas e ações conjuntas, como a coleta de lixo. Mas também nos envolvemos politicamente. Pois queremos participar ativamente da construção da nossa terra natal.
As pessoas se conhecem, conversam entre si e também precisam suportar opiniões diferentes.
O que a vida no campo tem a ver com democracia?
Muita coisa! Ali, a avó de 95 anos conversa com o fã de heavy metal de 17 anos, a jovem agricultora discute com o professor universitário. Diferentes gerações, profissões e opiniões se encontram. As pessoas se conhecem, conversam entre si e também precisam suportar opiniões diferentes. Esse forte sentimento de união é a democracia vivida.
Mas também no campo existem slogans de boteco. Como vocês lidam com isso?
Defendemos uma sociedade aberta e somos contra o extremismo de qualquer tipo. Nosso trabalho educacional trata, entre outras coisas, de questionar preconceitos e demonstrar uma postura democrática clara, por exemplo, contra frases de extrema-direita.
O que precisaria mudar para que ainda mais jovens queiram permanecer no campo?
São importantes, por exemplo, melhores conexões de ônibus e trem. Quem não tem carro não pode ser deixado para trás! Precisamos, além disso, de mais opções de lazer, oportunidades de compras e boas perspectivas profissionais. Também defendemos os jovens agricultores e viticultores. Queremos contribuir para que os jovens vejam seu futuro no campo e gostem de voltar após a formação – assim como eu!
A Federação da Juventude Rural Alemã (BDL), com cerca de 100.000 membros, é a maior associação juvenil na área rural da Alemanha. Ela foi fundada em 1949 e reúne 18 associações estaduais. A BDL organiza atividades de lazer, festas tradicionais, ofertas educacionais e projetos políticos. Ela promove o voluntariado e quer tornar as regiões rurais mais atraentes como local de vida e trabalho.