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Quando um pedaço de tecido se torna um lar

A especialista em estudos culturais, Simone Egger, explica por que o traje tradicional na Alemanha é muito mais do que um clichê e por que ele volta a ser uma fonte de identidade para os jovens. 

Ina BrzoskaInterview: Ina Brzoska, 30.03.2026
Tradição bávara na Leine: Calças de couro e dirndls sob um céu azul e branco
Tradição bávara na Leine: Calças de couro e dirndls sob um céu azul e branco © Shutterstock

Senhora Egger, muitas pessoas associam os trajes tradicionais alemães ao dirndl e às calças de couro. Será que não se está a ignorar a verdadeira diversidade dos trajes tradicionais?
Sim, a cultura dos trajes tradicionais é claramente mais diversificada. É verdade que os trajes tradicionais da Baviera dominam a percepção, em parte porque a Oktoberfest recebe tanta atenção da mídia. No entanto, o grande desfile de trajes tradicionais e atiradores em Munique apresenta todos os anos uma enorme variedade de trajes históricos de toda a Europa. Nas principais festas cristãs, em todas as regiões da atual República Federal da Alemanha, utilizavam-se tecidos nobres, como veludo e seda, com saias sobrepostas, coroas e toucas. Os trajes tradicionais inspirados nos modelos dos séculos XVIII ou XIX são geralmente preservados por associações, enquanto versões mais modernas também estão presentes em celebrações. Por ocasião do Eid al-Fitr, os muçulmanos na Alemanha também vestem trajes com influências históricas. 

Há alguns anos, os jovens voltaram a usar trajes tradicionais em ocasiões festivas. Como isso aconteceu?
Isso mudou no início dos anos 2000. Os jovens passaram repentinamente a ter uma abordagem lúdica em relação às tradições, e as atribuições políticas perderam importância. Ao mesmo tempo, observa-se um entusiasmo crescente pelo estilo vintage e pela identidade regional. Hoje em dia, o dirndl e as calças de couro são usados também fora da Baviera em ocasiões específicas e, em muitos lugares, simbolizam um sentido de identidade e pertencimento. 

Será que as redes sociais estão impulsionando a tendência do uso de trajes tradicionais?
Vivemos numa era de imagens, e o folclore é um tema excelente para isso. Justamente nas redes sociais, o importante é destacar o que há de próprio e especial, mantendo-se, ao mesmo tempo, em sintonia com as tendências globais. Sentir-se integrado e conseguir se identificar é essencial. O traje tradicional é fácil de vestir e tirar, é versátil e funciona como um símbolo. 

O que representa o traje tradicional na Alemanha do século XXI?
O traje tradicional é um meio de comunicação. Na agitada era moderna, o desafio reside no fato de que pessoas de diferentes meios sociais se encontram cada vez menos, em parte porque vivemos de forma cada vez mais digital. Os trajes tradicionais podem ser uma oportunidade para nos encontrarmos e refletirmos sobre nossa própria história. Elas também simbolizam a união, o bom humor e algo prazeroso. 

Sobre a pessoa: Simone Egger

Simone Egger
© Christian Weiss

A especialista em estudos culturais, Simone Egger, nascida em 1979, é professora assistente de antropologia cultural e leciona na Universidade do Sarre. Sua monografia de mestrado de 2008 foi publicada como livro sob o título “Phänomen Wiesntracht”.