60 anos dos Tratados de Paris

Os Tratados de Paris, de 23 de outubro de 1954, foram um marco incisivo na História alemã pós 1945.

picture-alliance/dpa - Paris Accords

Com a assinatura dos Tratados de Paris em 1954, o chanceler federal Konrad Adenauer (CDU) logrou junto às três potências ocidentais, que fosse cancelado o até então vigente estatuto de ocupação da República Federal da Alemanha. As relações entre a parte ocidental da Alemanha e as três potências de ocupação – os EUA, a Grã-Bretanha e a França – tiveram nova regulamentação através de quatro tratados isolados. Eles entraram em vigor em maio de 1955, dez anos após o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa e a tomada do poder supremo na Alemanha pelas quatro principais potências aliadas vencedoras da guerra.

Com isto, a República Federal da Alemanha ganhou soberania, que no entanto permaneceu limitada pelos direitos de reserva dos Aliados até a entrada em vigor do Tratado Dois Mais Quatro, de 1991. O pacote de tratados de 1954 tornou possível a filiação da República Federal da Alemanha à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à União da Europa Ocidental (UEO). E um acordo alemão-francês regulamentou novamente o status do Sarre, localizado na fronteira alemão-francesa.

“Termina hoje para a República Federal da Alemanha o tempo da ocupação”, afirmou o chanceler federal Adenauer diante do Parlamento Federal alemão, que ratificou os tratados em 27 de fevereiro de 1955. “Com profunda satisfação, o governo federal pode constatar: nós somos um Estado livre e independente”. Adenauer considera que a adesão ao Ocidente e a integração na OTAN seriam o caminho certo na política externa da República Federal da Alemanha.

Críticos viam cimentada a divisão da Alemanha

Os políticos oposicionistas tinham então uma outra opinião. O presidente do SPD, Erich Ollenhauer, criticou Adenauer, afirmando que, com os Tratados de Paris, ele estaria cimentando a divisão da Alemanha. “Para o povo alemão, a remissão do direito de ocupação no território de validade da Lei Fundamental não é nenhum motivo de festa. A Alemanha continua dividida. Só se pode falar de soberania da Alemanha, quando a Alemanha estiver outra vez unificada em liberdade”, afirmou Ollenhauer. Somente em 1990, mais de 35 anos depois, é que a Alemanha dividida se reunificou.

www.konrad-adenauer.de/stichworte/aussenpolitik/pariser-vertrage-1955/

www.bpb.de/apuz/29086/pariser-vertraege-besiegelung-deutscher-zweistaatlichkeit?p=all