“Não em algum momento. Mas agora”
Matthias Brandt, ator e filho do ex-chanceler federal, Willy Brandt, defende a democracia e luta contra o radicalismo de direita.
Matthias Brandt é, há décadas, um dos atores mais renomados da Alemanha. Além de sua carreira artística, sua origem familiar também é notável: nasceu em 1961 em Berlim, filho de Willy Brandt, o resistente social-democrata, emigrante e posterior chanceler federal, e de Rut Brandt, uma norueguesa do movimento operário que trabalhou para o governo no exílio. Até hoje, Willy Brandt simboliza o recomeço democrático após 1945, a reconciliação com a Europa Oriental e a constatação de que a liberdade e o Estado de Direito devem ser conquistados politicamente e defendidos continuamente.
Em 20 de julho de 2025, no 81º aniversário do atentado de 20 de julho de 1944 contra Adolf Hitler e, portanto, um importante dia de comemoração da resistência contra o nazismo, Matthias Brandt proferiu um discurso muito comentado em Berlim-Plötzensee, local onde a justiça nazista assassinou os opositores do regime. “Como se pode e como se deve falar em um lugar como este?”, perguntou ele, “quando tudo aqui clama por silêncio”. Mas o silêncio, continuou Brandt, não é uma resposta – “nem no que diz respeito ao ontem, nem ao hoje, nem ao amanhã”.
Aprendendo com o passado
É justamente por isso que o olhar de Brandt se volta também para as correntes de extrema direita atuais: “Hoje, vemos novamente, o que também se reflete nos resultados eleitorais, como o veneno do ódio, do racismo e da exclusão se infiltra e se manifesta em uma brutalização do modo de lidar uns com os outros, sobretudo no âmbito linguístico, por meio da violência e do uso deliberado de figuras de linguagem próprias da propaganda nazista.”
Hoje, mais uma vez, vemos como o veneno do ódio, do racismo e da exclusão vai se infiltrando
É a partir dessa percepção que se explica o engajamento de Brandt contra o partido AfD, que o Serviço de Proteção da Constituição classifica, em parte, como de extrema direita. Em entrevista à revista “Spiegel”, ele afirmou que é preciso apontar a “simplicidade e a estupidez” do radicalismo de direita e, para isso, toma seus pais como exemplo, que eram “notavelmente destemidos”.
No semanário “Die Zeit”, ele escreveu que não se detém a AfD condenando seus eleitores de forma generalizada, mas sim contradizendo-a “publicamente”. Persistente. Sem medo do volume das vozes delas.” Os populistas de direita, escreve Brandt, defendem “sua fantasia da Alemanha contra a realidade deste país” – contra um país “com muitas histórias, origens e modos de vida”. Ele defende que “cada indivíduo se sinta mais responsável do que antes pela preservação do nosso modo de vida livre e democrático. Não em algum momento. Mas agora.”
O novo livro de Matthias Brandt, “Dizer Não”, surgiu a partir do discurso de Plötzensee e questiona o que a coragem da resistência de 20 de julho de 1944 e a experiência de seus pais significam hoje. Ele cita a seguinte frase da mãe: “Não é preciso falar alto para ser firme. Basta saber quem você é e de que lado está.”