Coragem e resistência

75º aniversário do atentado de Stauffenberg, em 20 de julho: a resistência contra o nazismo teve muitas facetas. Um visão geral.

Memorial da Resistência Alemã em Berlim
Memorial da Resistência Alemã em Berlim dpa

A imagem da resistência alemã, após a subida de Hitler ao poder em 1933, é variada. Uma grande maioria da população alemã apoiou o regime de Hitler até 1945. Mas alguns grupos ofereceram resistência. Eles eram compostos de homens e mulheres de diferentes origens, profissões e orientações – entre eles, operários, oficiais, civis, estudantes e nobres. A resistência inicial e mais persistente contra o nazismo foi oferecida por grupos, contra os quais o regime nazista agiu em primeiro lugar: comunistas, socialdemocratas e sindicalistas. Após a aniquilação dessas organizações, seus membros continuaram agindo frequentemente na clandestinidade ou a partir do exílio.

O atentado de Stauffenberg

A figura carismática do oficial nobre Claus Graf von Stauffenberg é tida como símbolo da resistência alemã. O atentado de Stauffenberg contra Adolf Hitler em 20 de julho de 1944 é tido como a mais importante tentativa de derrubada do regime no “Terceiro Reich”. Hitler sobreviveu à explosão da bomba que Stauffenberg depositou em seu quartel-general. Mais de 200 pessoas faziam parte do grupo em torno de Stauffenberg, que apoiou a mais bem planejada de todas as tentativas de golpe de Estado: oficiais e funcionários públicos conservadores, sacerdotes, bem como alguns socialistas. O atentado é o mais conhecido, mas não foi o único contra a vida de Hitler. Até 1945, o ditador sobreviveu a pelo menos 39 atentados.

Claus Graf von Stauffenberg
Claus Graf von Stauffenberg dpa

A resistência invisível contra o regime nazista

Os adversários do regime agiam de forma variada por conta própria: em Berlim, o casal Elise e Otto Hampel distribuiu desde 1940 cartões postais e folhetos, que conclamavam à resistência contra o nazismo. A “Rosa Branca“ é conhecida hoje: o grupo de estudantes muniquenses em torno de Hans e Sophie Scholl, que foram flagrados na distribuição de panfletos. Em 22 de fevereiro de 1943, os irmãos Scholl e outros correligionários foram executados.

Importantes foram também formas menos visíveis da resistência: organização de redes subversivas de informação, oferecimento de esconderijo a perseguidos, a falsificação de passaportes para cidadãos judeus, divulgação das notícias da BBC, distribuição secreta de pão aos trabalhadores forçados estrangeiros, a recusa em fazer a saudação nazista.

O significado histórico da resistência no regime nazista

Apesar do seu fracasso aparente, a resistência contra o nazismo representa a existência de um resto não destruído de humanidade, empatia, coragem e oposição, que sobreviveram até mesmo sob as condições de uma completa dominação. A rejeição peremptória do regime, que unia diversos grupos da oposição, continua sendo a mais importante herança da resistência para a formação da tradição política da Alemanha após 1945.

Dr. Stephan Malinowski
Dr. Stephan Malinowski leciona História Europeia na School of History, Classics and Archaeology da Universidade de Edimburgo desde 2012. Um dos seus temas centrais é a época do nazismo.

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