Sentir o pulso do eleitor

Matthias Jung, pesquisador de opinião, esclarece como os prognósticos eleitorais são feitos e porque eles, às vezes, são errados. 

Eleições ao Parlamento Alemão em 2017. Matthias Jung, diretor do Grupo de Pesquisa de Eleições
Matthias Jung, diretor do Grupo de Pesquisa de Eleições dpa

Sondagens não são prognósticos eleitorais  e extrapolações não são resultados de eleições. Matthias Jung, diretor do Grupo de Pesquisa de Eleições, explica como as pesquisas de opinião funcionam e o que ele e seu grupo têm de observar antes das eleições ao Parlamento Alemão. 

“Como nos preparamos para as eleições parlamentares? Meticulosamente! Por isso, começamos a planejar com quase um ano de antecedência. Primeiramente, temos de elaborar o material estatístico de eleições passadas. Depois fazemos uma amostra de distritos eleitorais escolhidos ao acaso. Nestes, indagamos, no dia das eleições, os eleitores e as eleitoras que acabaram de votar. Este resultado é a base para o prognóstico das 18 horas. Este é somente um dos motivos, porque as eleições parlamentares são um desafio logístico, o que comprovam cerca de 900 entrevistadores que estão em ação nesse dia. 

Usando a diligência e a experiência, tentamos evitar erros

Matthias Jung, diretor do Grupo de Pesquisa de Eleições

Para o Grupo de Pesquisa de Eleições, o dia 24 não é motivo para ficar nervoso. As pesquisas de opinião, os prognósticos e as análises eleitorais são o nosso pão de cada dia. Fazemos regularmente 1 250 chamadas telefônicas ao acaso – tanto durante os períodos legislativos como diretamente antes das eleições –, indagando os eleitores com as perguntas de um questionário minucioso, para registrar a atmosfera política na Alemanha. Esta é a base para a chamada “projeção”, na qual nós, por exemplo, incluímos e avaliamos a vinculação dos questionados a partidos e as suas reflexões táticas. Desta maneira, calculamos qual seria o resultado, se as eleições parlamentares acontecessem no próximo domingo.  

Segundo a lei da probabilidade, os resultados conseguidos através da mostra aleatória e o número suficiente de questionados são considerados representativos. Usando a diligência e a experiência, tentamos evitar erros. Mas temos de contar com um grande número não conhecido de adeptos de partidos populistas e extremistas, pois esses adeptos nem sempre estão dispostos a admitir suas atitudes. Este fato é tomado em consideração na avaliação. Todavia, a interpretação dos dados deveria ser muito mais assumida pelos peritos, para que se possam evitar erros, como aconteceu na votação sobre o Brexit ou nas eleições à presidência nos EUA.

Importante é que a sondagem ante da eleição não seja um prognóstico. Ela mostra o clima político no momento em que foi feita, sendo que ninguém pode prever os próximos acontecimentos políticos. Só no dia da eleição podemos falar de prognóstico. Ao contrário da sondagem, o prognóstico baseia-se em votos dados e não em intenções. Quando as seções eleitorais fecham, nós nos aproximamos sucessivamente do resultado da eleição, através das projeções baseadas em cálculos oficiais. Então, é a hora das nossas análises eleitorais.

Protocolo: Christina Pfänder

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