Novos modos de se recordar

Atualmente, o ato comum de se recordar da Noite dos Cristais do Terceiro Reich é possível quase que exclusivamente de modo digital. Meron Mendel, sobre os novos modos de se recordar.

O pedagogo israelense é diretor do Centro de Formação Anne Frank.
O pedagogo israelense é diretor do Centro de Formação Anne Frank.

Levar os jovens a sério, encontrar-se com eles de igual para igual e dialogar com eles. É assim que podemos manter viva a recordação da época nazista em tempos do coronavírus, afirma Meron Mendel, diretor do Centro de Formação Anne Frank, em Frankfurt.

Senhor Mendel, existe o perigo de que os dias da lembrança, como atualmente o da Noite dos Cristais, venham a passar para um plano secundário por causa da pandemia de coronavírus?
É compreensível e muito normal que a atual crise leva muitas pessoas a pensar no presente e nos seus problemas. Mas, mais do que nunca, temos que mostrar porque a memória de uma injustiça histórica é relevante para a nossa vida em comum hoje e aqui. Não importa se isso aconteça de forma digital ou em eventos com a presença do público.   

Nestes tempos de coronavírus, o nosso canal de Youtube, por exemplo, irradiou diálogos digitais feitos com testemunhas

Meron Mendel

Qual é, em geral, a importância da recordação digital?
Antes do início da pandemia de coronavírus, o mundo digital já exercia uma grande influência sobre a geração jovem. Por isso, nós, do Centro de Formação Anne Frank,  já tínhamos desenvolvido há muito tempo diversos projetos, para transmitir digitalmente os conteúdos de formação histórico-política. Nestes tempos de coronavírus, o nosso canal de Youtube, por exemplo, irradiou diálogos digitais feitos com as testemunhas Zvi Cohen e Eva Szepesi.

Pode-se então, assim, esclarecer a jovem geração?
Em nosso trabalho com a juventude não nos dedicamos tanto a esclarecer os jovens, mas, muito mais, de levar a sério as suas experiências, os seus conhecimentos e as suas ideias. Por isso, nossos workshops com os jovens sempre são dirigidos por treinadores e treinadoras de democracia. Estes são jovens adultos que acabaram de concluir o ensino médio e começaram uma formação profissional ou um estudo. Desta maneira, eles podem se encontrar com os jovens de igual para igual. Eles falam com os jovens sobre o racismo e o antissemitismo, encorajando-os a tomar posição, pois as suas ideias são importantes para a nossa sociedade, pois a sua voz também conta. 

Façam conosco um giro pelo laboratório de aprendizado do Centro de Formação Anne Frank. Aqui se vai para a história.

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