“Ele estava muito adiante da sua época”

Francisco J. Barrantes sobre a atuação de Alexander von Humboldt na América Latina.

O professor Dr. Francisco J. Barrantes
O professor Dr. Francisco J. Barrantes Privat

Prof. Barrantes, como a visão de Humboldt influenciou a ciência na América Latina?

A relevância de Humboldt para a ciência parte sobretudo da sua metódica de observar as coisas de uma perspectiva global, integral: tudo na natureza está interligado. Principalmente em relação ao clima, ele estava muito adiante da sua época. Ele reconheceu que a humanidade e o clima se influenciam reciprocamente. Também foi pioneira a sua visão da geografia biológica: ao contrário de Carl von Linné, ele tratou menos da descrição de exemplares isolados de plantas, mas sim da inter-relação entre as diversas espécies, sua distribuição geográfica e das relações com outras formas de vida. Com outras palavras: para o meio ambiente como um todo.

O que os políticos ou cientistas podem aprender hoje com Alexander von Humboldt?

No fundo, Humboldt foi o primeiro “ecologista” e levou essas ideias, na época, também a políticos, sobretudo na América do Norte. Seu objetivo era tratar a natureza como algo holístico, como um organismo vivo. Já então, Humboldt tinha consciência das consequências prejudiciais do desmatamento e de certos métodos da irrigação artificial e antecipou assim os temas urgentes da época atual.

Que impressão a América Latina daria hoje a Alexander von Humboldt?

Eu suponho que sua grande preocupação estaria voltada para a dramática extinção de espécies. E, além disso, ele ficaria muito triste com os devastadores incêndios florestais na Amazônia, mas também no Norte da Argentina ou na África. Ele estaria, com certeza, extremamente insatisfeito com o comportamento dos políticos e a inércia dos governos, que parecem ignorar muitas perdas irreparáveis, em vez de lutar inteligentemente pela preservação das nossas preciosas riquezas naturais.

A população comum da América Latina sabe quem foi Alexander von Humboldt?

Eu creio que o latino-americano “médio” de hoje não sabe quem foi Humboldt, isso não é diferente na América do Norte ou na Europa. Com o nome são relacionados eventualmente fenômenos naturais como a “corrente de Humboldt” ou uma universidade, mas as peculiaridades do seu trabalho são pouco conhecidas. Ele é mais conhecido nos países que visitou durante a sua viagem: Colômbia, Cuba, Equador, Peru, México e Venezuela.

 

Sobre o entrevistado:

O professor Dr. Francisco J. Barrantes é diretor do laboratório de Neurobiologia Molecular na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Católica Argentina (UCA) em Buenos Aires e presidente da Associação de Ex-Bolsistas da Fundação Humboldt na Argentina.

 

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