O novo monstro da mídia

As histórias de conspiração estão em alta nesta crise. O que se pode fazer contra elas? Cinco perguntas a Katharina Nocum.

Aluhut
dpa

Katharina Nocum é defensora dos direitos civis, ativista na rede social e publicitária. Em 2020, ela e Pia Lamberty publicaram o livro de grande sucesso “Fake Facts. Wie Verschwörungstheorien unser Denken bestimmen” (Falsos fatos. Como as teorias de conspiração vêm dominando o nosso modo de pensar).

Senhora Nocum, as histórias de conspiração estão em alta. Qual é o perigo disso?
Quem acredita que o vírus não existe, não protege nem a si nem os outros. Muitas pessoas estão muito preocupadas com amigos ou parentes que estão sendo arrastados pelo onda de teorias de conspiração. Isso não deveria ser tratado sem a devida seriedade, pois as consequências poderiam ser fatais por um longo período de tempo. Quem acredita em grandes conspirações por parte da medicina talvez não procure o médico em caso de uma doença grave, confiando, em vez disso, em charlatões, o que pode terminar com a morte.

Katharina Nocun
Katharina Nocun www.GordonWelters.com

A atual explosão de teorias de conspiração é um fenômeno da internet?
Durante a época do nazismo, os mitos de conspiração eram uma parte central da propaganda antissemita. E foram até mesmo ensinados na escola. Culpar a internet pela difusão dessas teorias não seria suficiente. É claro que os ideólogos de conspiração usam certas plataformas, como Facebook, Instagram, YouTube ou Telegram. Mas precisamente nessas plataformas há também inúmeras contas que informam sobre o perigo de mitos de conspiração. Aliás, existem também as mídias clássicas que oferecem uma plataforma aos ideólogos de conspiração. Tão simples assim, isso não é.

Quem presumir que as eleições foram falsificadas, não irá mais, um dia, desfrutar do seu direito de votar

Katharina Nocun

O fato de se acreditar nos mitos de conspiração também diminui a confiança em instituições e na mídia séria. Isso é um perigo para a democracia?
Quem presumir que as eleições foram falsificadas, não irá mais, um dia, desfrutar do seu direito de votar. É normal em uma democracia que discutamos por ter diferentes opiniões. Mas se existem grupos que inventam os seus próprios fatos, então isso ameaça a nossa capacidade de encontrar boas soluções para os problemas iminentes. E isso é válido não só para a pandemia.

O que se pode fazer contra isso?
As pessoas não ficam propensas a acreditar em conspirações, se elas previamente forem informadas sobre as estratégias de ideólogos de conspirações, sendo assim sensibilizadas para esse tema. Tais programas informativos têm que ser urgentemente incluídos nos currículos escolares.

Entrevista: Martin Orth

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