“Partenon de livros”

A artista argentina Marta Minujín constrói um Partenon de livros para a próxima documenta de Kassel.

dpa/Arne Dedert - Die argentinische Künstlerin Marta Minujin

O templo de livros proibidos tem as medidas oficias do Partenon de Atenas, o templo da deusa Palas Atenas na Acrópole. Os livros que foram uma vez proibidos ou que ainda são proibidos formam as colunas, os muros e o chão. As preparações da construção desta instalação para a documenta 14 de Kassel começaram em fins de outubro de 2016 na praça Friedrichsplatz de Kassel. Sua autora, a artista argentina Marta Minujín,  quer chamar a atenção para a censura e a perseguição.

Minujín, de 73 anos de idade, vem se ocupando há muito tempo com regimes repressivos, como a ditadura civil-militar na sua própria pátria. Ela pesquisa o potencial da arte de acontecimento e apresentação, como também da arte plástica e de vídeo. Nascida em Buenos Aires, ela estudou lá Artes Plásticas e Pedagogia da Arte, mudando-se para Paris no começo da década de 1960. Depois, mudou-se para Nova York. Hoje, ela vive novamente em Buenos Aires. Para ela, os livros são uma manifestação essencial da liberdade de expressão.

Os livros devem circular novamente

Minujín está desenvolvendo algo especial para a 14ª edição da documenta. Em 1983, ela construíra a instalação “El Partenón de libros” como símbolo estético e político da democracia, que tinha sido corrompida pela ditadura civil-militar na sua pátria Argentina. Aquele projeto artístico constava de milhares de livros censurados, formando uma réplica do Partenon grego, sustentada por uma estrutura de metal. Cinco dias após o início da exposição, dois guindastes inclinaram a construção para o lado. Os visitantes puderam então levar os livros para casa.

 “El Partenón de libros” estará sendo construído até junho de 2017, como “Parthenon der Bücher” para a documenta 14 de Kassel. Sua construção conterá até 100 mil livros de todo o mundo. Alguns deles tinham sido proibidos durante muitos anos, mas podem ser agora legalmente distribuídos. Outros continuam sendo proibidos em alguns países, mas são publicados em outros países. Todas as pessoas estão convidadas a contribuir com o donativo de um livro para essa instalação, que está sendo construída precisamente naquele lugar em Kassel, onde os nazistas queimaram centenas de livros em 1933. Ela deverá ser um símbolo contra a censura, a proibição de textos e a perseguição dos seus autores.

A Universität Kassel está cooperando com esse projeto na elaboração de uma lista de livros proibidos que também serão empregados. A lista engloba, atualmente, 60 mil títulos. Como em 1983, o “Parthenon” de Kassel também planeja uma ação conjunta com o público no fim da documenta 14, para que os livros possam circular novamente.

http://documenta14.de/the_parthenon_of_books/donate/de

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