Novas posições radicais

Ruangrupa, o coletivo artístico da Indonésia, transformará a Documenta. O pavilhão alemão na Bienal de Veneza também surpreenderá.

Ruangrupa, coletivo de arte da Indonésia
Ruangrupa, coletivo de arte da Indonésia documenta

Ruangrupa: grupo renovador da Documenta?

 “Queremos criar uma plataforma de arte e cultura que tenha caráter global, seja cooperativa e interdisciplinar e que continue sendo eficiente além dos 100 dias da Documenta”, comunicou o coletivo artístico Ruangrupa, da Indonésia, depois de ter sido designado para assumir a direção artística da Documenta 2022. Esse grupo de dez pessoas possui um espaço de arte (“Ruangrupa”) no sul de Jakarta, tem mais de 20 anos de experiência na construção de redes, simbolizando uma orientação participativa. Com a participação de artistas e de outras disciplinas, como ciências sociais, política, tecnologia ou mídia, o grupo reforça a ideia de arte, promovendo a sua divulgação através de exposições, sessões de trabalho, festivais, revistas, livros e magazines on-line. Para o comitê de seleção da Documenta, Ruangrupa é um grupo renovador. O comitê espera que esse coletivo venha dar um novo impulso e uma mudança de paradigma, distanciando-se do consumo passivo da arte para aproximar-se de uma configuração ativa.  Uma primeira impressão foi dada por um membro da  iniciativa de arte na Berlinale de 2021. Mirwan Andan, que segurava nas mãos um cubo de espuma, que continha um microfone, jogou o cubo para os espectadores e espectadoras que estavam afundados nos seus pufes. “To hang out”, andar por aí com o grupo Ruangrupa é o mote. Somente depois da abertura da “Exposição Mundial de Arte”, em 18 de junho de 2022, poderemos saber que efeito ela poderá produzir.

Maria Eichhorn, artista conceitual de Bamberg
Maria Eichhorn, artista conceitual de Bamberg Jens Ziehe

Maria Eichhorn: surpresa em Veneza?

“Pintar me aborrecia”, disse Maria Eichhorn em uma entrevista, falando do seu estudo na Hochschule der Künste de Berlim. “Eu queria uma outra forma de expressão para aquilo que me ocupava”. E isto se pôde ver em 2011 no Kunsthalle de Berna. Em vez de instalar uma exposição, ela usou o dinheiro disponibilizado para fazer os trabalhos necessários de reparação. O que se podia ver durante a inauguração era um emocionante canteiro de obras que era renovado quando o museu fechava as suas portas. Ou na exposição “5 weeks, 25 days, 175 hours”, em 2016, na  Chisenhale Gallery de Londres. Durante o período da mostra, ela liberou os empregados do trabalho e as portas ficaram fechadas. “Não há nada para se ver, mas muito que pensar”, escreveu um entusiasmado crítico inglês. “Maria Eichhorn é exatamente a artista que eu sempre quis ver no Pavilhão da Alemanha na Bienal de Veneza”, disse Yilmaz Dziewior, curador do pavilhão e diretor do Museum Ludwig de Colônia, após a escolha desta artista conceitual de Bamberg, de 59 anos de idade. É grande a expectativa daquilo que Maria Eichhorn fará até 23 de abril de 2022, pois muitos artistas já trabalharam nesse pavilhão, que fora construído como edifício de representação dos nazistas. A contribuição, que mais causou sensação até agora, foi a de Hans Haacke, que, em 1993, destruiu o chão do pavilhão, expondo os destroços.

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