Criar e manter a paz

O pesquisador da paz e de conflitos Thorsten Gromes analisa como as sociedades encontram a paz depois de uma guerra civil.

Missão difícil: ação da ONU na Somália.
Missão difícil: ação da ONU na Somália. dpa

“Quando as tentativas de criar e de manter a paz obtêm êxito? E como se mede esse êxito? Nas estruturas democráticas, desemprego reduzido ou no número de crianças que frequentam a escola? Todas essas metas são importantes, mas o êxito é inicialmente o término duradouro da violência de guerra. Esta é uma tarefa importante, como demonstram inúmeras retomadas de guerras civis.

Soldados chineses com o barrete azul da ONU.
Soldados chineses com o barrete azul da ONU. dpa

Como funcionário do Instituto Leibniz – Fundação de Pesquisa da Paz e de Conflitos de Hesse, eu me ocupo com a questão, sobre que condições a paz permanece estável após uma guerra civil. Que resultados trazem importantes instrumentos de garantia da paz, por exemplo o envio de tropas de paz? Sobre isso, eu analisei guerras civis que terminaram depois de 1990. Em sete de 22 casos, uma guerra eclodiu novamente no prazo de poucos anos – apesar de tropas de paz estarem estacionadas no país.

Diferentemente do que se espera frequentemente, o êxito ou o fracasso não dependem tanto das próprias missões de paz, do seu equipamento, da sua composição ou da sua tarefa. Decisivas foram as características da guerra civil. A maneira como terminou a guerra, por exemplo, faz uma grande diferença. Após vitórias militares ou acordos de paz, a paz se mantém na maior parte dos casos; depois de meras tréguas, foi muito mais frequente uma nova eclosão da guerra. Guerras civis que transcorreram de maneira intensiva e conflitos entre partidos com definição étnica dificultam a preservação da paz. O mesmo é válido para um equilíbrio das forças militares dos partes conflitantes no término da guerra.

Em outro projeto de pesquisa, eu analiso as chamadas intervenções militares humanitárias após a Segunda Guerra Mundial. São missões com a meta declarada de proteger a população do país em questão da violência bélica. Exemplos conhecidos são a Bósnia e Herzegovina e o Kosovo na década de 1990 e, atualmente, a Líbia e o Mali.

Soldados da ONU em missão de paz na África
Soldados da ONU em missão de paz na África

Apesar de a violência na Síria estar muito presente na mídia há anos, não houve aqui nenhuma ampla intervenção militar humanitária com o objetivo de terminar com a guerra. As perspectivas de êxito para uma tal intervenção seriam parcas, entre outras coisas em virtude dos atores e do forte entrelaçamento com outros conflitos na região. De modo geral, porém, a pesquisa ainda sabe pouco sobre em que condições as intervenções militares humanitárias reduzem ou agravam a violência. Descobrir mais sobre isso é a meta nesse projeto”.

Dr. Thorsten Gromes é funcionário científico do Instituto Leibniz – Fundação de Pesquisa da Paz e de Conflitos de Hesse, em Frankfurt.

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