“Além dos próprios limites”

Simon Anholt vê a Alemanha como prova de que uma imagem positiva tem muito a ver com o engajamento internacional.

Assessor político Simon Anholt
Assessor político Simon Anholt picture alliance / dpa

Sr. Anholt, no mais recente “Nation Brands Index”, a Alemanha ficou em primeiro lugar. No “Good Country Index”, que o senhor também publica, ela ficou em terceiro lugar. O que nos diz essa interação?
A Alemanha é um dos poucos países que pontua quase tão bem no “Good Country Index”, que mede o comportamento real, como no “Nation Brands Index”, que trata da imagem. Isto prova minha tese central: se você quer ter uma imagem melhor, você tem que se comportar melhor no contexto internacional. A Alemanha contribui para o mundo fora de suas fronteiras mais do que quase qualquer outro país.

Há alguns anos, a imagem positiva da Alemanha tem sido muitas vezes acompanhada da reivindicação de que ela assuma mais responsabilidade internacional. A Alemanha aceitou este desafio?
É verdade que um vácuo de liderança se abriu desde que os EUA, sob Donald Trump, não mais ofereceu o tipo de liderança moral multilateral que costumava proporcionar antes. Tenho a sensação de que o presidente Biden ainda não fechou essa lacuna e pode nunca fechá-la. Mas tampouco creio que outro país possa fazê-lo isoladamente. Tem de ser uma coalizão de países. Quanto mais ampla for esta rede, tanto melhor. A Alemanha deve desempenhar um papel importante neste contexto.

Em que medida a crise do coronavírus mudou a imagem da Alemanha?
De nenhuma forma. Coisas que acontecem dentro de um país não têm normalmente influência na forma como o país é percebido no exterior. De certa maneira, a pandemia é um evento doméstico, que se repete em todos os lugares. Em alguns anos, poucas pessoas se lembrarão que um determinado país lidou bem com a pandemia. E isso só confirmará a opinião daqueles que já gostavam antes daquele país.

 


O britânico Simon Anholt aconselha governos de todo o mundo sobre como se engajar mais internacionalmente. Ele cunhou o termo “Nation Branding”, mas hoje em dia é crítico em relação ao conceito.

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