“Um ator cada vez mais importante”

O que a presidência alemã do Conselho da UE conseguiu? Isto é o que explica a diretora do Conselho Alemão de Relações Externas.

Daniela Schwarzer é diretora do DGAP.
Daniela Schwarzer é diretora do DGAP. DGAP/Zofia Pölöske

Dra. Schwarzer, como a senhora avalia a presidência alemã da UE?
O governo alemão teve de se preparar muito rapidamente para uma presidência sob a pandemia do coronavírus. O foco estava em lidar com a crise sanitária, amortecendo a crise econômica e, acima de tudo, mudar para o trabalho em grande parte digital, o que é um desafio, especialmente em negociações difíceis. Muitas outras prioridades, como a cúpula UE-China com 27 chefes de Estado e de governo europeus, tiveram que ser abandonadas. O maior sucesso foi o compromisso sobre o quadro financeiro plurianual e o fundo de reconstrução, mesmo que a Polônia e a Hungria tenham tentado atenuar as disposições sobre violação do Estado de direito por países membros.

Os europeus podem proteger melhor seus interesses quando agem em conjunto.

Daniela Schwarzer, DGAP

A pandemia do coronavírus mostrou, especialmente no início, que a UE também tem fraquezas. Que consequências isso tem para o futuro – e que contribuição a Alemanha pode e deve dar agora?
Mais uma vez ficou claro que a integração sofre pressão, se a UE não puder oferecer apoio suficiente numa crise. Existem paralelos óbvios com a crise financeira de 2008, à qual também houve inicialmente uma resposta nacional e descoordenada. Quando o vírus se espalhou na Europa, as fronteiras do mercado interno foram fechadas e material médico foi acumulado. Mas a UE demonstrou a sua capacidade de corrigir-se a si mesma. Agora ela coopera no fornecimento de vacinas, adquire máscaras em conjunto, transporta pacientes para tratamento intensivo através das fronteiras. A lição mais importante é essa: quando promovemos a livre circulação das pessoas, devemos ter em mente a proteção da população, especialmente contra ameaças à saúde.

Por que é tão importante para a Alemanha trabalhar em prol de uma UE forte?
A Alemanha orientou seu
modelo econômico muito fortemente para exportações e cadeias de valor transfronteiriças, especialmente dentro da UE. Portanto, sua força baseia-se em grande parte no mercado interno e na união monetária, na qual o euro protege contra as flutuações das taxas de câmbio. Além disso, a UE é um ator político cada vez mais importante, também externamente. Num mundo cada vez mais dominado por forças geopolíticas e geoeconômicas, os europeus podem proteger melhor seus interesses e tornar a ordem internacional mais eficiente se cooperarem e agirem em conjunto.

 


A Dra. Daniela Schwarzer é diretora do Conselho Alemão de Relações Externas (DGAP). De 2008 até 2013, ela dirigiu o Grupo de Pesquisa de Integração Europeia na Fundação Ciência e Política. Durante este tempo, ela assessorou as presidências polonesa e francesa do Conselho da UE, entre outras.

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