Que influência tem o debate na TV?

Valores, aparências e muitos eleitores indecisos – um especialista esclarece o que é importante no debate dos candidatos a chanceler pela TV. 

Eleição do Bundestag 2017: Martin Schulz e Angela Merkel encontram-se em 3 de setembro no debate pela TV
Muitos temas para discussão: Martin Schulz e Angela Merkel dpa

Uma equipe chefiada pelo pesquisador eleitoral Thorsten Faas, de Mainz, vai analisar o debate de TV do dia 3 de setembro, entre a chanceler Angela Merkel e seu concorrente na eleição parlamentar federal de 2017, Martin Schulz. Os cientistas observam também as reações em tempo real e podem constatar durante a transmissão ao vivo do debate, como os telespectadores reagem aos candidatos.

Professor Faas, até que ponto o debate na TV, entre os dois candidatos a chanceler, Angela Merkel e Martin Schulz, pode influenciar o resultado da eleição para o Bundestag?

No ano de 2013, o debate na TV entre a chanceler federal Angela Merkel e seu concorrente Peer Steinbrück teve quase 18 milhões de telespectadores; também na campanha eleitoral de 2017, o debate na TV é o mais importante evento isolado. Isso decorre também da composição do público da tevê: o debate será assistido por muita gente, que não acompanhou anteriormente muita coisa da campanha eleitoral. O debate na TV aumenta claramente a participação nas eleições e uma vitória clara nele pode mobilizar muitos eleitores anteriormente indecisos. A influência é pequena, por sua vez, sobre os telespectadores que já eram antes adeptos de um ou do outro candidato. Eles veem o debate principalmente sob a óptica do partido e consideram-se fortalecidos nas suas opiniões.

Eleição do Bundestag 2017: pesquisador eleitoral Thorsten Faas
Thorsten Faas: “É um mito, que as aparências sejam decisivas” dpa

Que papel desempenham fatores superficiais como a aparência pessoal?

Tais fatores são, naturalmente, percebidos, mas não se devem ser superestimados. O clássico entre os debates de TV, a confrontação entre os candidatos a presidente dos EUA, Kennedy e Nixon, no ano de 1960, contribuiu para o surgimento do mito de que tudo depende principalmente da aparência pessoal: o bem-apessoado Kennedy agradou mais aos telespectadores que Nixon, que tinha a aparência de doente e cansado, mas que pôde ganhar pontos com os ouvintes de rádio. Mas muito mais importante que as aparências é se os candidatos conseguem associar seus programas eleitorais com as concepções de valores básicos dos espectadores e assim, convencê-los.

“Às vezes, as impressões do debate na TV são logo desfiguradas através das reportagens na mídia”.

Thorsten Faas

O efeito dos debates na TV é avaliado de forma errada?

Às vezes, as impressões são logo desfiguradas através das reportagens na mídia. Por exemplo, no debate de TV com a sua concorrente Angela Merkel, no ano de 2005, o então chanceler federal Gerhard Schröder fez uma declaração de amor à sua mulher Doris Schröder-Köpf. Isso foi posteriormente muito abordado na mídia, apesar de a repercussão real entre os telespectadores ter sido muito pequena. Logo em seguida ao debate de TV de 2013, vários institutos de pesquisa de opinião pública chegaram a resultados distintos quanto ao vencedor.

Basicamente, a pesquisa de opinião enfrenta a dificuldade, de que a clássica enquete por telefone fixo funciona cada vez menos. As pessoas são mais difíceis de encontrar e diminui a sua disposição de participar. A isso soma-se o fato de que o comportamento dos eleitores se ter tornado muito mais flexível. Atualmente, cerca da metade dos eleitores alemães ainda está indecisa e até dez por cento só tomarão a sua decisão no dia das eleições.

A entrevista foi feita por Johannes Göbel.

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