O futuro da mídia

Os algoritmos vão substituir o jornalismo tradicional? O que os especialistas da mídia digital dizem sobre isso. 

Die Zukunft der Medien
Westend61/Getty Images

Como a utilização da mídia na Alemanha se transforma e que riscos estão ligados com a mídia digital, nos relatam dois especialistas, um do setor científico e um da área de marketing digital: Carsten Reinemann é professor de Ciências da Comunicação na Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Manfred Klaus é gerente executivo da Plan.Net, uma das principais agências digitais alemãs.

Carsten Reinemann, professor de Ciências da Comunicação na universidade LMU de Munique
Carsten Reinemann, professor de Ciências da Comunicação na universidade LMU de Munique
dpa

Existem características alemãs na utilização da mídia?

Carsten Reinemann: A mídia social desempenha na Alemanha um papel menor que em outros países. Isso faz com que a Alemanha – por exemplo, em comparação com os EUA – seja muito menos suscetível às tentativas de manipulação daqueles que usam especialmente esses canais, a fim de influenciar eleições e semear a discórdia.

Manfred Klaus: Na Alemanha, as marcas tradicionais de mídia ainda continuam tendo um enorme peso – também os órgãos impressos que, com maior ou menor êxito, deram o passo rumo ao “digital”. Entretanto, a Alemanha tem a tendência de cimentar os modelos tradicionais de negócios em detrimento de inovações – o direito de propriedade intelectual é um exemplo especialmente

Manfred Klaus, gerente executivo do grupo Plan.Net
Manfred Klaus, gerente executivo do grupo Plan.Net Serviceplan

Que riscos a mídia digital traz consigo?

Reinemann: Existe o perigo de que as pessoas se afastem da informação de alta qualidade. Seja perdendo-se nas muitas belas ofertas de entretenimento, seja capitulando-se diante da diversidade e das contradições na rede. Ou elas só desejam ver uma confirmação das suas próprias opiniões. Nós temos de fomentar– já na escola – o ideal de ser informado e de escutar com atenção as outras opiniões.

Klaus: Há cada vez mais oferta de conteúdo. A variedade ilimitada e a possibilidade de escolhas exigem demais dos consumidores da mídia. Do ponto de vista comercial, registra-se a tendência de que essa massa de conteúdos seja capitalizada por um número cada vez menor de empresas: Google, Apple, Facebook e Amazon. Uma formação de oligopólio é uma ameaça para o mercado publicitário.

Como o senhor vê o futuro da mídia?

Reinemann: Os órgãos jornalísticos sérios são para mim a mídia do futuro – pois eles se tornam cada vez mais importantes, em virtude da grande quantidade de fontes, meias-verdades e notícias falsas na rede.

Klaus: As marcas da mídia vão perder claramente em importância: algoritmos inteligentes vão escolher para os usuários os conteúdos relevantes para eles, nos canais correspondentes.

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