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Como os algoritmos ditam o ritmo do comércio mundial

Quanto mais instável se torna o comércio mundial, mais importante se torna a precisão no porto. O pesquisador em logística, Carlos Jahn, fala sobre as possibilidades e os limites da IA.

Johannes_GöbelInterview: Johannes Göbel, 28.04.2026
Um navio está atracado diante de guindastes no porto de Hamburgo
Coreografia dos guindastes: No porto de Hamburgo, é necessário coordenar inúmeras etapas de trabalho. © picture alliance / imageBROKER | Stefan Ziese

Professor Jahn, o senhor concentra-se na logística marítima. Que desafios a instabilidade da situação mundial traz para esses fluxos de mercadorias?
Nos últimos anos, o ritmo das cadeias de abastecimento marítimas tem se tornado cada vez mais acelerado. Nesse contexto, perturbações como o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã têm um impacto significativo e geram reajustes nos planos e custos, mesmo que não causem imediatamente uma escassez de mercadorias. No Centro Fraunhofer de Logística Marítima e Serviços, em Hamburgo, nosso foco é a pesquisa sobre eficiência, segurança e sustentabilidade na logística marítima, com o objetivo de otimizar o transporte de mercadorias por navio. 

Professor Carlos Jahn
Carlos Jahn: “Nem tudo pode ser resolvido com algoritmos.” © Marco Grundt

Em que soluções o seu centro de pesquisa está trabalhando no que diz respeito ao porto de Hamburgo?
Por um lado, lidamos com a crescente automação, inclusive por meio do uso da Inteligência Artificial. O objetivo é prever com a maior precisão possível quais áreas serão necessárias e em que momento, tanto para os navios que atracam quanto para os caminhões responsáveis pelo transporte posterior das mercadorias. Com a automação e a IA, é possível otimizar a integração entre as diferentes áreas de entrega. Desenvolvemos, por exemplo, um sistema de câmeras que identifica rapidamente contêineres com defeito e ajuda a eliminar esses pontos fracos do sistema. Outras soluções técnicas dizem respeito ao uso de robôs em áreas de trabalho potencialmente perigosas para os seres humanos ou à otimização da alocação de pessoal. Nosso projeto “PortConnect”, por exemplo, permite o planejamento dos turnos dos trabalhadores portuários com o auxílio de IA, incluindo a troca flexível de turnos por meio de um aplicativo.

Diante dessas inovações, qual continua sendo a importância do “fator humano”?
É verdade que é fantástico o que a IA consegue fazer graças a grandes volumes de dados, mas nem tudo pode ser resolvido com algoritmos. A cooperação em um porto exige inúmeras decisões econômicas, políticas e também sociais. O ser humano consegue avaliar melhor as consequências para cada área e sua importância para o sistema portuário como um todo. Além disso, a intuição humana ajuda a reagir a situações excepcionais, nas quais a IA fica rapidamente sobrecarregada devido à falta de dados.