“As mulheres são mais afetadas pelas crises”

Elke Ferner, presidente da ONU Mulheres Alemanha, explica o que se tem de fazer quando os direitos das mulheres podem ser afetados pelas crises.

Elke Ferner vem lutando já há mais de 40 anos pela igualdade de gêneros.
Elke Ferner vem lutando já há mais de 40 anos pela igualdade de gêneros. Deutscher Frauenrat

O engajamento de Elke Ferner para os direitos da mulher surgiu quando ela tinha dez anos e sua professora recomendou que ela fizesse o Gymnasium (nível mais elevado do ensino médio alemão). O pai da menina perguntou. “Por que fazer a conclusão Abitur, se ela, em todo caso, iria casar um dia?”. Isso ficou na mente da menina, que iria se tornar secretaria de Estado, Membro do Conselho Alemão da Mulher e depois presidente da ONU Mulheres Alemanha.

Senhora Ferner, há guerra na Europa e a mudança climática está progredindo. Essas crises afetam o seu trabalho?
Infelizmente,  as pessoas que tomam decisões políticas são induzidas pelas crises atuais a assumir a atitude de: Temos agora que lidar com coisas mais importantes! Mas as crises não são assexuais. Elas afetam as mulheres de forma mais severa, pondo em perigo os seus direitos. O impacto das consequências da mudança do clima, como os períodos de seca e as inundações, atinge as mulheres com muita força em muitas partes do mundo, onde elas são responsáveis pela agricultura e pela segurança alimentar da família.

Como a política deveria reagir?
Se quisermos alcançar a igualdade entre os sexos até 2030, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, teremos que empregar todas as medidas, as leis e as despesas para o progresso da igualdade de gêneros entre as mulheres e os homens. Por isso precisamos de uma análise de impacto de gênero, através da qual os efeitos de todas as medidas já possam ser estimados de antemão. A igualdade de gêneros tem que se tornar um princípio fundamental em todos os setores políticos.

Qual é a importância da cooperação internacional a caminho da igualdade de gêneros?
Até agora, nenhum país conseguiu uma igualdade total, mais alguns deles já estão bem perto do “Paraíso”. Muita coisa já está funcionando bem na Alemanha, como, por exemplo, um gabinete paritário. Mas no Bundestag (Parlamento Alemão) ainda estamos bem longe disso. Aqui, poderíamos aprender muito da Islândia, da Suécia ou da Ruanda. Existem também muitos acordos internacionais importantes, como a Convenção da ONU dos Direitos da Mulher. Mesmo que ela tenha sido assinada e ratificada por quase todos os países-membros, ela é a mais desconhecida de todas as convenções. 

 


A ONU Mulheres está em vigência em mais de 90 países, sendo que o enfoque está, por um lado, no trabalho com os governos e, por outro lado, em projetos locais concretos. A ONU Mulheres Alemanha apoia esse trabalho, pois é um dos doze comitês nacionais no mundo todo.

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