Mandato com muitas dificuldades

Crise do euro, conflito da Ucrânia, pandemia do coronavírus – muita coisa aconteceu no mandato de Angela Merkel

Angela Merkel na cúpula do G7 no Canadá, com Donald Trump
Angela Merkel na cúpula do G7 no Canadá, com Donald Trump picture alliance / Newscom

 

Angela Merkel governou a Alemanha em um tempo de grandes crises políticas internacionais. O colapso dos mercados financeiros, as turbulências em volta do euro, o conflito na Ucrânia, o  debate sobre os refugiados, a pandemia do coronavírus e, além de tudo, a permanente crise em torno do clima: uma única dessas ocorrências já teria sido suficiente para um mandato.   

Além do mais, a importância do papel da Alemanha aumentou nesse período. A introdução da moeda unitária europeia solidificou essa importância na Europa. Dado que as questões europeias não eram mais do interesse dos EUA,  Berlim passou a ter uma posição chave nas relações entre o Leste e o Oeste, a partir da crise na Ucrânia. Depois da eleição de Trump a presidente dos EUA, Merkel assumiu o papel de líder do Oeste livre, o que ela própria nunca tivera almejado. E a Alemanha sozinha não poderia ter assumido esse papel de maneira nenhuma.

Procurar sempre o diálogo

Angela Merkel começou o seu mandato como uma chanceler das transformações e o terminou como uma chanceler da preservação. E não somente das questões internas da Alemanha, mas sobretudo da política externa. Em 2005, quando ela assumiu as obrigações governamentais, ela apostou primeiramente em um forte curso baseado em valores. Ela irritou a China, recebendo o Dalai Lama na chancelaria federal e adotou uma atitude mais severa frente à Rússia. Por outro lado, um aprofundamento da unificação europeia não tinha sido para ela, no começo, uma preocupação muito importante, ao contrário do seu antecessor Helmut Kohl.

Quanto menos controle o Oeste liberal passava a ter sobre a sua estabilidade, tanto maior se tornava o dever dessa política com respeito ao preservar. Mas ela sempre procurou o diálogo, mesmo mantendo a sua posição crítica com respeito à política da Rússia, que ela, como cidadã  da antiga RDA, conhecia melhor do que outros líderes políticos. O que ela admirou na China foi o dinamismo e o espírito de renovação desse país. Ela pensava que o Oeste não poderia manter a competição dos sistemas através do isolamento, mas afirmando-se na competição aberta, o que tinha sido, para ela, uma lição tirada do colapso da RDA.

O princípio da franqueza

Acolhendo os refugiados no outono europeu de 2015, Merkel também seguiu o princípio da franqueza. Ela não queria ter sido responsável pela construção de novas fronteiras na Europa. Neste ponto, ela reagiu com mais decisão do que na crise do euro, na qual a chanceler tinha vacilado, por ter dado prioridade à política interna.  Ela conseguiu fazer uma reparação em 2020, usando o fundo europeu de reconstrução que previa uma emissão comum de dívidas.  

Em 2017, ela se candidatou pela quarta vez a esse posto. Esse seria o seu mais difícil mandato, pois a sua candidatura fora feita sobretudo por causa da política externa: depois da eleição de Donald Trump a presidente dos EUA, Merkel não queria dar a impressão de que a última capitã, que era ainda um tanto confiável, pudesse abandonar a nave da democracia liberal. Nas turbulências da política mundial, que aconteceram a partir de 2008, Angela Merkel sempre lutou por uma estabilidade, da qual algumas pessoas ainda vão sentir muita falta.

Ralph Bollmann é um jornalista e autor. Ele acaba de publicar uma biografia completa de Angela Merkel.

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