Preservar a janela para o mundo

Qual é a importância da cultura na crise do coronavírus? A diretora artística Shermin Langhoff relata como o Teatro Gorki está alcançando o público de uma forma totalmente nova.

Langhoff trabalhou anteriormente em editoras e na televisão
Langhoff trabalhou anteriormente em editoras e na televisão picture alliance / dpa

Shermin Langhoff é diretora artística do Teatro Maxim Gorki em Berlim desde 2013. O teatro se destaca acima de tudo por suas produções socialmente críticas. Langhoff, a única mulher na direção de um grande teatro em Berlim, recebeu inúmeros prêmios por seu engajamento cultural, incluindo a Cruz de Mérito Federal em 2017.

Sra. Langhoff, como sua vida mudou em consequência da pandemia?
Vimos a crise também, sem ingenuidade, como uma oportunidade de repensar nossos conceitos anteriores. Por que fazemos teatro? O que narramos? Como expressar isso? E acima de tudo, para quem? Como podemos continuar a promover um intercâmbio internacional e ser para nosso público uma janela para o mundo? Revisamos nossa própria relevância para a sociedade e tentamos encontrar um novo enfoque, necessário em tempos de crise.

Como é a implementação das ideias?
Toda quarta e sexta-feira transmitimos uma nova produção com legendas em inglês por 24 horas. Na Ilha dos Museus de Berlim há também um cubo de vidro, o nosso “quiosque Gorki”, onde durante o auge da pandemia também pudemos fazer apresentações para os transeuntes, entre outras, da diretora polonesa Marta Gornicka. Além disso, estamos mais uma vez nos concentrando em nossas exposições, que promovemos regularmente desde 2013.

Langhoff ao lado de uma escultura de Hale Tenger, que foi exposta no Gorki em 2017. Com sua instalação, a artista turca se refere a uma série de golpes de Estado, ataques terroristas e à espiral de violência na vida cotidiana.
Langhoff ao lado de uma escultura de Hale Tenger, que foi exposta no Gorki em 2017. Com sua instalação, a artista turca se refere a uma série de golpes de Estado, ataques terroristas e à espiral de violência na vida cotidiana.
picture alliance / Soeren Stache/dpa

Está sendo feito o suficiente para apoiar a cultura em crise?
Na pandemia, os problemas que já existiam foram exacerbados. Isto não é diferente no cenário da arte e da cultura. Os artistas freelance já estavam em condições precárias de trabalho antes da pandemia. Em comparação com outros países, porém, ainda temos uma situação confortável na Alemanha. Por exemplo, temos financiamento para teatro em quase todas as cidades da Alemanha.

O que lhe dá esperança neste momento difícil?
A perspectiva de que haverá uma vida pós-pandemia. Afinal de contas, esta não é a primeira vez que a humanidade se depara com uma pandemia. Há a experiência da gripe espanhola ou da peste. Os teatros e, naturalmente, a humanidade sobreviveram a muitas pandemias.

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