“A maior obra civilizadora”

Às vésperas das eleições europeias, muitas pessoas se manifestam claramente pela UE. Elas conhecem o valor da Europa – e podem idealizar a Europa.  Três opiniões.

Nini Tsiklauri: Ativista da UE e candidata ao Parlamento Europeu
Nini Tsiklauri: Ativista da UE e candidata ao Parlamento Europeu Viktoria Fellinger

“A UE é uma obra civilizatória, como nunca existiu antes na História da humanidade. O desafio de prosseguir com essa bem sucedida ideia ímpar e de melhorá-la continuamente, foi o que me motivou a entrar na vida política, a partir de meu engajamento pela Europa na sociedade civil. Em especial nos últimos dois anos, eu ouvi muitas pessoas nas ruas. A variedade das ideias, pedidos e críticas é para mim uma tarefa que pretendo levar comigo para o Parlamento Europeu: mais direitos para os cidadãos e cidadãs da UE, maior transparência, mais informações, maior participação – e, com isso, mais engajamento pela União Europeia.

Os passos para uma cidadania da União não são tão difíceis. Mas são muito importantes, a fim de ajudar as pessoas na Europa a sentirem a sua identidade europeia e fazê-las compreender a UE. Elas precisam participar, sob a forma de comitês civis, da elaboração de uma Constituição europeia e o Parlamento Europeu deve tornar-se a representação plena dos europeus soberanos, ou seja, os cidadãos e cidadãs da União. Um passaporte europeu e uma reforma da iniciativa civil europeia seriam um primeiro passo nesse sentido.

Os desafios globais só podem ser enfrentados por uma Europa autoconsciente, consciente do meio ambiente, capaz de agir, de tomar decisões e capacitada para a sua defesa. Para isso, nós necessitamos de uma política externa conjunta, livre da imposição de unanimidade, uma doutrina europeia de segurança com Forças Armadas europeias para a garantia da paz, uma proteção claramente definida das fronteiras externas, com uma política europeia de migração e, sobretudo, muito mais coragem para uma Europa unificada!”.

Nini Tsiklauri é proveniente da Geórgia, cidadã alemã e vive em Viena. A autora e ativista da UE candidata-se em 2019 ao Parlamento Europeu.

A UE é o projeto político mais progressista, que já foi criado pela humanidade até agora.

Juuso Järviniemi, redator-chefe de “The New Federalist”

“A Europa é chance e necessidade”

“A UE é o projeto político mais progressista, que já foi criado pela humanidade até agora. Ela representa não apenas o bem-sucedido esforço, de acabar com as guerras entre países antes carcomidos pela inimizade, mas é também talvez a primeira tentativa mundial, de criar uma identidade política comum, sem mobilizar para isso os aparatos educacionais ou militares.

Para mim, a Europa é ao mesmo tempo chance e necessidade. Uma Europa unificada oferece aos seus cidadãos mais chances do que cada um dos países membros separadamente, do estudo e trabalho no exterior até à compra a preços favoráveis de produtos de toda a Europa. Mas é também uma necessidade: o Brexit nos mostra como seria uma vida sem a União Europeia – e isso não é nenhuma perspectiva atraente. Agora que conhecemos a alternativa, torna-se claro que temos de permanecer juntos: podemos fazer isso com um sorriso, se nos decidirmos por uma identidade europeia.

Diante desse panorama, eu creio que os europeus mais cedo ou mais tarde vão ter a coragem de desenvolver uma UE mais democrática. Uma UE, na qual os cidadãos decidem em primeiro lugar. Uma UE que é suficientemente forte para proporcionar um nível mínimo de garantia social aos seus cidadãos e para proteger os europeus contra ataques militares”.

Juuso Järviniemi é proveniente da Finlândia, estuda na Escócia e participa atualmente do programa Erasmus em Paris. Ele se engaja na Young European Federalists (JEF) como redator-chefe do “The New Federalist”.

Juuso Järviniemi engaja-se no Young European Federalists.
Juuso Järviniemi engaja-se no Young European Federalists. privat

“Eu creio numa Europa do povo”

“A União Europeia é o meu espaço vital, ela é o meu país. Em Antuérpia, eu frequentei a escola, na cidade alemã Viersen vivia meu amigo por correspondência, em Roma eu terminei meus estudos. Borussia Mönchengladbach e Juventus Turim são os meus times de futebol favoritos – depois do Olympique Lyonnais. Eu vivi em Bruxelas, trabalhei em Milão e sonhei em Berlim. Mas a Europa não é para mim apenas metrópoles, mas também Chambéry, Saboia – onde eu moro no momento –, Viterbo na região italiana de Lácio, Ruhpolding no Chiemgau, Seraing perto de Liège e a irlandesa Clifden.

Após o fechamento das fronteiras, que foi decidido em 2015 por François Hollande como reação ao ato de terrorismo em Paris, depois da ânsia pelo Brexit e da subida ao poder dos populistas na Itália, Hungria e Polônia, eu me empenhei pelo renascimento da Europa. Precisamos dar início a novos projetos de integração: direitos sociais, defesa, tributação. Então vamos chegar um dia à República Europeia descrita por Ulrike Guérot.

Eu creio numa Europa do povo, que é sustentada pelas pessoas, como no passado na praça Maidan da capital ucraniana Kiev, como paradoxalmente hoje no Reino Unido ou nas manifestações do Pulse of Europe. As bandeiras da União Europeia, agitadas com alegria pelos cidadãos nas ruas, são um símbolo forte. É um das possibilidades de superar esse momento de hesitação que a Europa vive, entre o seu passado e o seu futuro”.

Marc Lavedrine é francês, mas foi criado em diversos países europeus. O mestre-escola e consultor chefia a iniciativa Pulse of Europe em Chambéry.

Marc Lavedrine (atrás à direita) apoia o movimento Pulse of Europe na França.
Marc Lavedrine (atrás à direita) apoia o movimento Pulse of Europe na França. privat

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