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Albert Schweitzer: Por respeito à vida

O que motivou o médico, humanista e ganhador do Prêmio Nobel da Paz e como ele construiu uma vila hospitalar inteira no atual Gabão. 

Alois PrinzAlois Prinz, 27.08.2025
Albert Schweitzer em 1965, em frente ao hospital que fundou em Lambaréné
Albert Schweitzer em 1965, em frente ao hospital que fundou em Lambaréné © picture-alliance / dpa

Albert Schweitzer foi, durante sua vida, uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo. Depois de receber o Prêmio Nobel da Paz em 1952, sua reputação cresceu ainda mais: Muitas escolas e instituições sociais receberam o seu nome e a revista “Time Magazine” elegeu-o como o “Maior Homem do Mundo”.  

“A boa pessoa” 

Após as catástrofes humanitárias de duas guerras mundiais, o fundador de um hospital em Lambaréné, no atual Gabão, era considerado a prova de que ainda existiam “pessoas boas”. No entanto, seu trabalho na África também foi criticado, por exemplo, pelos jornalistas britânicos James Cameron e Gerald McKnight, que o visitaram em Lambaréné. Eles o condenaram por seu comportamento paternalista, chamando-o de “racista” e “último representante do colonialismo”.  

Schweitzer defendeu sua maneira de lidar com as pessoas na antiga colônia francesa da África Equatorial, argumentando que era importante combinar o respeito pela dignidade humana com uma “autoridade natural” para ser respeitado e possibilitar uma ação conjunta. Ele expressou essa opinião na seguinte frase: “Eu sou seu irmão, mas seu irmão mais velho”. 

Multitalentoso com um objetivo claro 

Albert Schweitzer nasceu em 14 de janeiro de 1875, filho de um pastor protestante em Kaysersberg, na Alsácia. Após concluir os estudos, ele estudou em Estrasburgo e Paris e obteve o título de doutor em Teologia e Filosofia. Além disso, ele era um excelente organista e especialista em construção de órgãos. O talentoso jovem tinha várias opções de carreira à sua disposição. Mas Schweitzer não tinha interesse em se tornar professor, clérigo ou músico. Já com 20 e poucos anos, ele havia decidido que, após os estudos, faria algo para ajudar pessoas que sofrem.   

Em 1904, ele encontrou uma revista da Sociedade Missionária de Paris, na qual se procuravam pessoas para trabalhar na África. De acordo com suas memórias, Schweitzer teve certeza imediata de que esse seria o seu caminho. Ele estava indignado com o que potências europeias como a Bélgica e o Império Alemão estavam fazendo em suas colônias africanas. Para ele, essas supostas nações culturais eram “estados predadores” que se consideravam “senhores brancos” e acreditavam ter o direito de tratar as pessoas como escravos. Schweitzer via o trabalho humanitário nesses países como uma oportunidade de reparar a culpa que havia criado.  

No entanto, não quiseram enviá-lo como missionário para a África, porque não concordavam com suas opiniões teológicas. Então, Schweitzer decidiu estudar Medicina para ir para a África como médico. Sua esposa Helene Bresslau, que se formou como enfermeira, queria acompanhá-lo.   

O primeiro consultório no galinheiro 

Em 1913, o casal chegou à estação missionária de Andende, perto de Lambaréné. Eles montaram seu primeiro “consultório” em um antigo galinheiro. Todos os dias chegavam mais mulheres, homens e crianças, e logo foi necessário mudar para novos edifícios. Com o início da Primeira Guerra Mundial, a situação mudou repentinamente: Como cidadãos de um país inimigo, os Schweitzers alemães foram feitos prisioneiros de guerra na colônia francesa. Eles foram levados de volta para a França, onde foram internados em campos. Somente no final da guerra eles puderam retornar à sua terra natal, na Alsácia. A aventura africana parecia ter chegado ao fim, especialmente porque Schweitzer tinha agora uma filha.  

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O fato de ele ter conseguido continuar seu trabalho em Lambaréné deveu-se ao arcebispo sueco Söderblom, que convidou Schweitzer para palestras e concertos de órgão. Dessa forma, ele ganhou dinheiro suficiente para planejar seu retorno à África. As palestras também foram uma oportunidade para Schweitzer apresentar sua filosofia cultural. Ela era a base filosófica de suas ações e se baseava no respeito por todos os seres vivos, o que Schweitzer expressou na seguinte fórmula: “Eu sou vida que quer viver, no meio de vidas que querem viver”.  

Em fevereiro de 1924, Schweitzer partiu novamente para a África. Como cada vez mais doentes chegavam a Lambaréné, ele decidiu construir uma nova e maior vila hospitalar. Schweitzer permaneceu em Lambaréné durante toda a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, foi criticado por não ter se manifestado sobre o nazismo durante esses anos. Schweitzer nunca se pronunciou sobre essa acusação. Ele queria proteger seus familiares e amigos na Alemanha? Talvez ele também considerasse desnecessário tomar uma posição, já que, para ele, sua atuação representava a crítica mais clara a esse sistema desumano.  

Contra as armas nucleares 

Somente em 1948 Schweitzer deixou a África de novo, para uma viagem aos Estados Unidos. Nos anos seguintes, ele viajou entre a África e a Europa para ganhar dinheiro com concertos e palestras, necessário para a manutenção do hospital. Durante a Guerra Fria, ele foi pressionado a se pronunciar sobre o armamento nuclear. Por fim, ele fez discursos no rádio, nos quais esclarecia os perigos das armas nucleares.  

Albert Schweitzer faleceu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné. Ele foi enterrado no cemitério do hospital, ao lado de sua esposa.  

Alois Prinz publicou uma biografia em 2024: “Albert Schweitzer. Radicalmente humano”