“Você sente o solo de ardósia em cada gole”
Como é possível colher uvas no Bremmer Calmont? Uma viticultora sobre o trabalho manual complexo, Rieslings especiais e as consequências das mudanças climáticas.
Encostas íngremes de xisto, trabalho manual árduo: A viticultora, Angelina Franzen, cultiva, com sua família, vinhedos no Bremmer Calmont, no rio Mosela, na Renânia-Palatinado.
Senhora Franzen, no Bremmer Calmont, a subida chega a até 68 graus. Como se cultiva vinho em uma encosta dessas?
Aqui, tudo é 100 por cento trabalho manual. É preciso muito mais trabalhadores braçais do que em terrenos planos, e eles precisam ser seguros e não ter medo de altura. Em terrenos planos, são necessárias cerca de 200 horas de trabalho por hectare; aqui, na encosta íngreme, são cerca de 1200. Isso leva a custos mais elevados, mas também a uma qualidade especial.
O que caracteriza o Riesling do Calmont?
Principalmente a mineralidade acentuada. Você sente o solo de xisto em cada gole, onde as videiras crescem. A isso se somam uma força e um aroma especiais. Devido à orientação sul das encostas, à escassa sombra e ao vento, podemos extrair muito das nossas uvas.
Nas décadas de 1980 e 1990, partes do Calmont deixaram de ser cultivadas. Por quê?
Muitas áreas ficaram abandonadas na época porque o cultivo era muito trabalhoso e caro. Meu sogro recultivou grandes partes do Calmont. Isso era importante para ele, já que a viticultura no Bremmer Calmont é uma tradição em nossa família há muitas gerações. Para isso, foi necessário remover videiras velhas, árvores, arbustos de amora e framboesa. Em seguida, as áreas foram replantadas. Apenas a restauração de 1,5 hectares levou três anos.
Atualmente, as mudanças climáticas estão alterando as condições novamente. O que você observa no Calmont?
Devido às temperaturas mais altas, as uvas amadurecem mais cedo, contêm mais açúcar e, por fim, também um pouco mais de álcool. Por isso, precisamos ajustar o momento da colheita e colher significativamente mais cedo do que há alguns anos. Ao mesmo tempo, novas possibilidades se abrem: Antigamente, eram necessárias encostas íngremes voltadas para o sul para obter boas uvas. Em encostas voltadas para o leste e oeste, elas muitas vezes não amadureciam corretamente. Isso é diferente hoje. Também lá conseguimos agora obter boas qualidades.
Angelina Franzen dirige, juntamente com seu marido Kilian, a vinícola familiar Franzen em Bremm. A empresa está nas mãos da família há cinco gerações. A vinícola é particularmente conhecida pelos seus Rieslings das encostas de ardósia do Mosela.