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Os alemães têm senso de humor? Uma viagem de Tucholsky ao TikTok

Por que o humor alemão esconde histórias surpreendentes – e o que uma larva tem a ver com isso.

Kim BergKim Berg, 11.02.2026
O humor e a sátira têm uma longa tradição na Alemanha.
O humor e a sátira têm uma longa tradição na Alemanha. © picture-alliance/dpa I fazit

O preconceito persiste: os alemães não têm senso de humor. No entanto, uma análise dos últimos 100 anos mostra como o humor alemão é, na verdade, multifacetado, profundo e mutável.

A década dourada de 1920: sátira e ironia 

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha está de cabeça para baixo: a inflação, a instabilidade política e uma democracia jovem caracterizam o país. Nesta época agitada, o humor floresce. Satiristas como Kurt Tucholsky usam seu humor refinado para se opor ao militarismo e à estreiteza de visão – eles querem tornar visíveis as injustiças e estimular a sociedade a refletir. À pergunta “O que a sátira pode fazer?”, Tucholsky respondeu em 1919: “Alles (tudo).” 

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Nos palcos de Berlim, o humor na década de 1920 é mais do que apenas entretenimento. A comediante Claire Waldoff levapara o palco o estilo de vida das pessoas comuns – de forma direta, atrevida e com o sotaque berlinês. Suas canções, como “Raus mit den Männern ausm Reichstag” (Fora com os homens do Reichstag), não são apenas engraçadas, mas também políticas: Com sarcasmo mordaz, ela exige mais participação feminina e critica os “senhores refinados” do parlamento.

Humor durante o período nazista: o cotidiano como âncora

Com o nazismo e a Segunda Guerra Mundial, o debate humorístico desaparece quase completamente. A sátira e o cabaré são amplamente proibidos, e, às vezes, o humor serve como instrumento de propaganda e veicula imagens hostis. Além disso, atores como Heinz Rühmann, Hans Moser e Theo Lingen alcançaram grande popularidade com comédias cinematográficas em grande parte apolíticas.

Karl Valentin, acrobata da linguagem e mestre do humor absurdo, também é tolerado pelo regime nazista mas não é considerado fiel à linha do partido. Com jogos de palavras e uma lógica bizarra, ele faz o público rir.

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Os anos 50 e 60: Jogo de palavras e provocação

No pós-guerra, o humor alemão volta a mostrar-se diversificado. Trude Herr, conhecida por seu dialeto de Colônia e canções como “Ich will keine Schokolade, ich will lieber einen Mann” (Não quero chocolate, prefiro um homem), brinca com autoironia com os papéis femininos clássicos. Heinz Erhardt é o mestre do trocadilho inofensivo, mas refinado: Suas rimas, como “Die Made” (A larva), continuam muito populares até hoje. 

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Nos agitados anos 60, época do movimento estudantil, Wolfgang Neuss agita os palcos com humor político, sátira e quebra de tabus. O “homem do tambor” provoca, polariza e se torna porta-voz de uma nova geração crítica. 

Anos da nova abertura: a delicada ironia do cotidiano

Em uma sociedade que oscila entre a pressão pelo sucesso, a renovação e a mesquinhez, Vicco von Bülow, também conhecido como Loriot, torna-se mestre da ironia sutil: Seus esquetes analisam minuciosamente os pequenos mal-entendidos e absurdos do cotidiano alemão e da vida familiar.

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Seja o famoso “ovo do café da manhã” ou o cachorro falante – o humor de Loriot é sutil, mas certeiro. Ele mostra: quem consegue rir de si mesmo leva a vida com mais leveza.

Pelo menos tão bem-sucedido, mas mais inclinado para o slapstick, é Otto Waalkes, ou seja: Otto. Com jogos de palavras, esquetes sem sentido, personagens cômicos engraçados e paródias musicais, ele marcou a cultura humorística alemã durante décadas.

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A modernidade: o humor como reflexo de uma sociedade diversificada

Com a unificação alemã, a globalização e a digitalização, o humor também ganha novo impulso. Ele pode ser visto e ouvido em muitos lugares: nas telas de televisão, em arenas lotadas, em podcasts, na internet, no caixa do supermercado e, às vezes, até mesmo no Parlamento Federal. Os temas? Tão diversificada quanto a própria sociedade. Migração, gênero, clima, mídias sociais, política – nada é tabu.

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Um dos comediantes e artistas mais populares da Alemanha é Hape Kerkeling: ele ficou famoso há décadas com esquetes televisivos em parte anárquicos e, até hoje, combina paródia e improvisação com atuação e apresentação.

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Comediantes como Jan Böhmermann, Ana Lucía, Assane Badiane, Martina Hill ou Felix Lobrecht trazem um novo fôlego e novas perspectivas. Eles brincam com identidades e preconceitos e, com isso, às vezes alcançam um público internacional. Jovens artistas, muitas vezes com histórico de imigração, abordam com facilidade temas como origem, diversidade e debates sociais. 

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